A Copa do Mundo de 2026 se aproxima de sua fase mais aguardada. Com as equipes finalizando a etapa de grupos, começa a definição dos confrontos do mata-mata da primeira edição do torneio disputada por 48 seleções. A ampliação promovida pela FIFA alterou profundamente o formato da competição e criou uma nova fase eliminatória que promete tornar a disputa pelo título ainda mais longa e imprevisível.
Para o Brasil, a situação é confortável. Líder do Grupo C sob o comando de Carlo Ancelotti, a Seleção chega à última rodada dependendo apenas de si para garantir uma vaga entre os classificados. Mais do que avançar, porém, a posição final na chave pode definir um caminho mais tranquilo — ou muito mais complicado — na busca pelo hexacampeonato.
A edição de 2026 marca a maior mudança estrutural da história da Copa do Mundo desde a adoção do modelo de 32 seleções, utilizado entre 1998 e 2022. Agora, as 48 equipes participantes foram distribuídas em 12 grupos de quatro integrantes. Ao final da primeira fase, os dois melhores de cada grupo avançam automaticamente, totalizando 24 classificados. As outras oito vagas ficam com os terceiros colocados de melhor campanha.
Na prática, isso significa que dois terços dos participantes continuam vivos após a fase de grupos. O novo sistema foi criado para acomodar o aumento no número de seleções sem reduzir a competitividade da competição, mas trouxe consigo uma consequência direta: a criação de uma etapa eliminatória inédita.
A novidade dos 16 avos
Pela primeira vez, a Copa contará com os chamados 16 avos de final, conhecidos internacionalmente como Round of 32. A fase reúne os 32 classificados em confrontos únicos, sem jogo de volta. Em caso de empate no tempo regulamentar, a decisão segue para a prorrogação e, se necessário, para os pênaltis.
A mudança faz com que o campeão mundial precise disputar oito partidas para levantar a taça. Nas edições anteriores, eram necessárias sete. Embora o aumento represente um desafio físico maior para as seleções, o novo modelo também cria mais oportunidades para zebras e amplia o número de países que chegam às fases decisivas. Os primeiros classificados já foram definidos. México, Estados Unidos e Alemanha garantiram suas vagas de forma antecipada e estarão entre os 32 participantes da fase eliminatória.
Outra mudança importante está nos critérios de desempate adotados pela FIFA. Diferentemente do que aconteceu em diversas Copas recentes, o saldo de gols deixou de ser o principal fator de separação entre equipes empatadas. Agora, o confronto direto passou a ter prioridade. Se duas seleções terminarem com a mesma pontuação, primeiro serão analisados os pontos conquistados no duelo entre elas. Em seguida, entram saldo de gols e gols marcados nesse confronto específico. Somente depois aparecem os critérios gerais da competição.
A alteração aumenta o peso de cada partida da fase de grupos e reduz a possibilidade de uma equipe avançar apenas por ter construído uma goleada contra um adversário mais fraco. Já na disputa entre os terceiros colocados, como não há confronto direto entre seleções de grupos diferentes, continuam valendo os critérios tradicionais: pontos, saldo de gols, gols marcados, índice disciplinar e ranking da FIFA.
Segundo projeções do supercomputador da Opta, o Brasil possui 99,95% de chances de avançar ao mata-mata. A equipe soma quatro pontos após empatar com Marrocos e vencer o Haiti por 3 a 0, resultado que garantiu uma vantagem importante no saldo de gols. Na última rodada, a Seleção enfrenta a Escócia. Uma vitória garante a classificação direta e pode assegurar a liderança do grupo. Caso empate, o Brasil também avança sem depender de outros resultados. Mesmo em caso de derrota, a equipe ainda teria grandes possibilidades de classificação, seja como vice-líder da chave ou entre os melhores terceiros colocados.
O principal objetivo brasileiro, porém, é terminar entre os dois primeiros. Isso porque a colocação final terá impacto direto no nível dos adversários que surgirão pela frente.
Possíveis novos adversários
Se confirmar a liderança do Grupo C, o Brasil deverá enfrentar o segundo colocado do Grupo F. Neste momento, Japão e Suécia aparecem como os candidatos mais prováveis para ocupar essa posição. O confronto está previsto para Houston, no Texas. Caso avance em segundo lugar, o cenário muda consideravelmente. O adversário passaria a ser o líder do Grupo F, posto atualmente disputado por Holanda e Japão. A partida aconteceria em Monterrey, no México.
O cenário mais delicado seria uma classificação em terceiro lugar. Nesse caso, o chaveamento pode colocar a Seleção diante de líderes de grupos considerados favoritos ao título, incluindo França, Alemanha ou México, dependendo da combinação de resultados. Por isso, a última rodada da fase de grupos vale mais do que a simples classificação. Ela pode determinar todo o caminho brasileiro até a decisão.
A fase de 16 avos de final será disputada entre 28 de junho e 3 de julho. As oitavas acontecem entre 4 e 7 de julho, enquanto as quartas de final estão programadas para os dias 9, 10 e 11 de julho. As semifinais serão disputadas em 14 e 15 de julho. A decisão do terceiro lugar acontece em 18 de julho e a final está marcada para 19 de julho, no MetLife Stadium, na região de Nova York e Nova Jersey.
Com mais seleções, mais jogos e um mata-mata ampliado, a Copa do Mundo de 2026 inaugura uma nova era para o principal torneio do futebol mundial. Para o Brasil, o desafio imediato é confirmar a classificação. Depois disso, começa a caminhada que pode levar a Seleção a uma conquista que o país espera desde 2002: o hexacampeonato.















