Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no twitter
Compartilhar no facebook
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram

O bendito não que é sim

Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no facebook
Compartilhar no whatsapp
Valéria Belém
Psicanalista e escritora

 _“Dizer não é dizer sim

Saber o que é bom pra mim

Não é só dar um palpite

Dizer não é dizer sim

Dar um não ao que é ruim

É mostrar o meu limite, é mostrar o meu limite”_

Dizer não é dizer sim, Kid Abelha

Não é uma negativa? E se eu te disser que pode ser justamente o contrário? Positivo de uma separação necessária e operante  nas teias da mistura em que a gente se enrola com os outros da nossa vida – e chega a dar nó.

E para entender isso vale até resgatar um caso trazido à clínica. Daquela mãe que tinha quatro filhos e um relacionamento bem difícil com o mais novo. Tudo para ele era diferente, sempre mais e melhor que para os demais irmãos. E nem assim as coisas se acertavam.

Em uma sessão, ela trouxe à tona um fato ocorrido em sua gravidez. Aliás, um fato não ocorrido enquanto aguardava a chegada do parto: ela, que já tinha duas crianças e acreditava esperar apenas um bebê, descobriu estar grávida de gêmeos – e somente após meses dessa descoberta percebeu que não havia escolhido um nome para o filho-supresa. Daí sobreveio aquela culpa enoooorrrrmeeeee.

O resto é história já contada: *a eterna conta que ela tinha em aberto com esse filho e que não fechava nunca* . E ela continuava dando, dando, dando… repetindo uma posição que só trazia *desconforto e desencontro* .

E como essas coisas acontecem assim, lá naquele lugar em que o homem não é senhor, ou seja, no inconsciente, foi na análise, ao passar por uma *fresta* e vir ao mundo, que essa mãe pôde perceber seu movimento e sua responsabilidade nessa história. Porque para além de dar nome ao seu sintoma, um analisante é convocado a fazer desse *embrulho*, algo que é SEU, uma outra coisa.

E, sim, ela fez. Fazer diferente na vida exige coragem! Ela mostrou ao filho que, a partir daquele dia, não existiriam mais regalias, nada a mais nem a menos que aquilo que era de cada um naquela história familiar.

E, para o filho, foi… um ALÍVIO enorme. Então, ele também era amado? Não precisava ser compensado pela diferença de afeto que imaginava existir por trás daquela posição materna?

Dito assim, parece simples. Mas não é. Dizer não é correr um risco enorme. O risco de assumir um *desencontro* que muitas vezes não estamos preparados para reconhecer que existe. Um risco de não darmos ao outro uma *completude* que, na verdade, jamais existiu – mas muita gente não quer saber disso. E é justamente nesse espaço que permitimos (a nós mesmos e ao outro) um lugar para a construção de uma história própria.

Confira também: