O artista visual Carlos Monaretta está entre os indicados ao Prêmio PIPA 2026, uma das principais premiações de arte contemporânea do Brasil voltada a artistas com até 15 anos de trajetória.
Em entrevista à revista Zelo, Monaretta falou sobre a indicação: “É um reconhecimento de um processo contínuo que venho construindo ao longo da minha trajetória”, diz. Para o artista, a indicação valida uma pesquisa voltada ao que costuma ser invisibilizado.
Além disso, ele acredita que o PIPA aproxima seu trabalho dos grandes centros: “É um marco que tira o trabalho do ateliê e das exposições regionais e o insere em um diálogo nacional, consolidando minha prática no pensamento crítico da arte contemporânea brasileira”, afirma.
O papel do Prêmio PIPA
Criado em 2010 pelo Instituto PIPA, o prêmio busca identificar e incentivar produções que dialogam com o cenário cultural contemporâneo. A indicação é feita por um comitê formado por curadores, críticos e artistas de diferentes regiões do país.
Nesta etapa, os indicados ainda enviam material para validação antes de se tornarem participantes oficiais. Quatro artistas serão selecionados pelo conselho e receberão prêmio em dinheiro e participação em exposição coletiva no Paço Imperial, no Rio de Janeiro.
A iniciativa também conta com o PIPA Online, categoria aberta ao voto do público. A lista final de indicados ao Prêmio PIPA 2026 foi divulgada nesta sexta-feira (27) e a organização deve anunciar os quatro artistas vencedores em junho.
Olhares sobre o cotidiano
Carlos Monaretta é artista visual, educador e produtor cultural. Natural de São Paulo, vive em Goiânia, onde desenvolve uma pesquisa sobre relações entre objetos cotidianos, espaço urbano e experimentação material. Graduado em Artes Visuais pela Universidade Federal de Goiás (UFG), participou de programas de formação e residência, como a Residência Artística da FAAP, em São Paulo.
Sua produção recente inclui a individual Catados (2026), na galeria Objeto Particular, em São Paulo, com curadoria de Ana Avelar, e a mostra Carne e Pedra (2025), na Vila Cultural Cora Coralina, em Goiânia. Também participou de exposições coletivas em diferentes cidades e é representado pela Referência Galeria de Arte.
Em sua prática, investiga o uso de materiais encontrados e estruturas do cotidiano, criando obras que tensionam a funcionalidade dos objetos e propõem novas leituras sobre a paisagem urbana e seus processos de transformação.
O artista explica que seu trabalho não se foca no objeto em si, mas em seus vestígios e a sua pós-história: “Trabalho com o que foi descartado, esquecido ou abandonado — matérias que perderam sua função original e se tornaram resto, um ‘treco’, um ‘troço’, um estado de coisa”, explica.
Vivendo em Goiânia e tendo trabalhos expostos na Capital, ele diz que a cidade, com suas dinâmicas de crescimento e seus vazios urbanos, forneceu a matéria-prima e a urgência de seu trabalho. “O ambiente da cidade é um agente ativo que dita o ritmo da minha produção e a escala das minhas proposições,” diz o artista.
Monaretta acredita que a visibilidade do prêmio abre caminhos para ampliar seu alcance e aprofundar o diálogo com instituições e residências. “Imagino minha produção caminhando para instalações mais imersivas, em que o espectador possa percorrer esses vestígios”, diz. Ele afirma que o foco agora está na próxima individual em São Paulo e em novas exposições coletivas previstas para 2026.














