Café e chá com cafeína podem estar associados a menor risco de demência, aponta estudo de 43 anos

Pesquisa com mais de 130 mil participantes indica relação entre consumo moderado e melhor desempenho cognitivo ao longo do tempo
Café e chá
(Foto: Pexels)
Café e chá
(Foto: Pexels)

Seu cafezinho diário pode estar relacionado à proteção da função cognitiva. Estudo de longo prazo, com acompanhamento de 43 anos, identificou associação entre consumo moderado de café ou chá com cafeína e redução de 18% no risco de demência, além de melhor desempenho cognitivo ao longo do tempo.

Para consumidores habituais, os dados sugerem que a bebida pode ir além do efeito estimulante. A pesquisa acompanhou mais de 130 mil participantes por 43 anos e observou associação entre o consumo moderado de café com cafeína e menor risco de demência. “Os resultados mostraram que a ingestão moderada de café com cafeína, entre 2 e 3 xícaras por dia, ou chá com cafeína, entre 1 e 2 xícaras diárias, foi associada a menor risco de demência, declínio cognitivo mais lento e melhor preservação das habilidades cognitivas”, afirma a Dra. Marcella Garcez, médica nutróloga, professora e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia. O estudo de coorte prospectivo foi publicado no periódico científico JAMA.

Apesar da associação observada, a especialista ressalta que o efeito identificado é modesto e que a prevenção do declínio cognitivo depende de múltiplos fatores. “O declínio cognitivo é multifatorial e hábitos de vida saudáveis são fundamentais para reduzir o risco de demência. O consumo de café ou chá com cafeína pode representar apenas um dos componentes envolvidos”, explica. A médica acrescenta que a prevenção precoce é relevante, já que os tratamentos disponíveis oferecem benefícios limitados após o surgimento dos sintomas. “Por isso, pesquisadores têm direcionado atenção para fatores de estilo de vida, incluindo a dieta, que podem influenciar o desenvolvimento do declínio cognitivo”, afirma.

Segundo a nutróloga, café e chá contêm compostos bioativos, como polifenóis e cafeína, associados à saúde cerebral. “Essas substâncias podem contribuir para reduzir processos inflamatórios e danos celulares, fatores relacionados ao declínio cognitivo. Estudos anteriores apresentaram resultados divergentes, muitas vezes devido a períodos de acompanhamento mais curtos ou informações limitadas sobre o consumo a longo prazo”, diz.

Com base em dados prolongados, os pesquisadores analisaram a relação entre café com cafeína, chá e café descafeinado e os desfechos cognitivos. Entre os mais de 130 mil participantes, 11.033 desenvolveram demência durante o acompanhamento. Indivíduos com maior consumo de café com cafeína apresentaram risco 18% menor de desenvolver demência em comparação com aqueles que raramente ou nunca consumiam a bebida. Também foram registradas menores taxas de declínio cognitivo subjetivo, 7,8% contra 9,5%, além de melhor desempenho em testes cognitivos objetivos. “Padrões semelhantes foram observados entre consumidores de chá, enquanto o café descafeinado não apresentou a mesma associação. Isso sugere que a cafeína pode ter papel relevante nos efeitos observados, embora sejam necessárias mais pesquisas para esclarecer os mecanismos envolvidos”, afirma a médica.

Os efeitos mais consistentes foram observados entre participantes que consumiam de 2 a 3 xícaras de café com cafeína ou de 1 a 2 xícaras de chá por dia. “Níveis mais elevados de ingestão não demonstraram prejuízos e apresentaram resultados comparáveis à faixa moderada. O estudo também avaliou participantes com diferentes predisposições genéticas para demência e identificou associações semelhantes, indicando que o consumo de cafeína pode beneficiar tanto pessoas com maior quanto com menor risco genético”, explica.

A especialista ressalta, no entanto, que a cafeína pode causar efeitos adversos em algumas pessoas. “Podem ocorrer desconforto gastrointestinal, alterações do ritmo cardíaco e da pressão arterial, agitação e distúrbios do sono. Nesses casos, o consumo deve ser reduzido ou evitado”, finaliza.

DRA. Marcella Garcez: Médica nutróloga, mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e docente do Curso Nacional de Nutrologia da ABRAN. É membro da Câmara Técnica de Nutrologia do Conselho Federal de Medicina, coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo. Também integra a Sociedade Brasileira de Medicina Estética e a Sociedade Brasileira para o Estudo do Envelhecimento. CRMPR 12559 | RQE 16019.

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