Cachorros com facilidade para aprender palavras humanas conseguem ampliar seu vocabulário apenas ouvindo pessoas conversarem entre si, mesmo sem interação direta. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica Science, que identifica nesse grupo uma capacidade semelhante à de crianças por volta dos dois anos de idade.
A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Medicina Veterinária de Viena, analisou um grupo restrito de cães conhecidos como “Aprendizes de Palavras Talentosos”. Esses animais se diferenciam por conseguir associar nomes a objetos de forma espontânea, sem treinamento formal, durante brincadeiras cotidianas com seus tutores.
Enquanto a maioria dos cães domésticos compreende comandos simples, como “senta” ou “deita”, esse subgrupo é capaz de memorizar dezenas ou até centenas de nomes de brinquedos. Um dos exemplos citados no estudo é Miso, um border collie que reconhece cerca de 200 objetos diferentes apenas pelo nome.
Escuta indireta
Para testar a hipótese de aprendizado por “escuta indireta”, os pesquisadores compararam dois métodos. No primeiro, o tutor apresentava diretamente um novo brinquedo ao cão, nomeando o objeto durante a brincadeira. No segundo, o animal apenas ouvia pessoas conversarem entre si sobre o brinquedo, sem qualquer interação direta.
Após alguns dias, os cães foram desafiados a buscar os objetos corretos entre vários já conhecidos. Os resultados chamaram a atenção: entre os cães talentosos, a taxa de acerto ultrapassou 90% quando houve interação direta e ficou acima de 80% quando o aprendizado ocorreu apenas pela escuta das conversas.
Mesmo quando erravam, os cães geralmente escolhiam o outro brinquedo novo apresentado no experimento, e não objetos antigos, o que reforça a capacidade de associação de palavras recém-ouvidas. Já entre os cães considerados “comuns”, o desempenho não apresentou resultados significativos.
Os pesquisadores ainda não sabem explicar por que apenas uma pequena parcela dos cães desenvolve essa habilidade. A origem da diferença pode estar relacionada a fatores genéticos, estímulos ambientais ou à forma como cada animal interage socialmente com humanos.













