Brasil perde patente internacional da polilaminina após cortes na UFRJ, diz pesquisadora

Pesquisa da UFRJ comandada pela professora Tatiana Coelho de Sampaio, que pode reverter a paraplegia, é um grande avanço que agora enfrenta dificuldades
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Foto: Reprodução/Sara Guerra
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Foto: Reprodução/Sara Guerra

A professora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirmou que o Brasil perdeu a patente internacional da polilaminina, substância experimental voltada à regeneração neurológica, após cortes orçamentários que atingiram a universidade entre 2015 e 2016. Segundo a cientista, a falta de recursos inviabilizou o pagamento das taxas necessárias para manter o registro da tecnologia no exterior.

Responsável pelo desenvolvimento da pesquisa, Tatiana relatou que, para não perder a patente nacional, precisou arcar com os custos do próprio bolso. “Os recursos da UFRJ foram cortados em 2015 e 2016, e não havia dinheiro para pagar a patente internacional”, declarou em entrevista ao programa Conversas com Hildgard Angel, da TV 247.

O que é polilaminina

Coordenadora do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, Tatiana iniciou os estudos em 1998. A polilaminina é uma versão recriada em laboratório da laminina, proteína produzida naturalmente pelo corpo humano e essencial para a conexão entre neurônios. Desenvolvida a partir da placenta humana, a molécula foi projetada para estimular a regeneração de conexões nervosas em áreas lesionadas da medula espinhal.

Durante a fase experimental, a substância foi aplicada em oito pacientes paraplégicos e tetraplégicos, com recuperação de movimentos em seis deles. Um dos participantes, que estava paralisado do ombro para baixo, voltou a andar sem auxílio, segundo dados divulgados pela pesquisadora.

Em janeiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início do estudo clínico para avaliar a segurança do medicamento no tratamento de lesões da medula espinhal e da coluna vertebral. Nesta primeira fase, cinco pacientes voluntários participam do protocolo, que busca analisar a resposta do organismo e possíveis efeitos adversos.

Falta de recursos

Apesar do avanço científico, Tatiana disse que a falta de recursos impediu a manutenção da patente internacional. “Os recursos da UFRJ foram cortados em 2015 e 2016, e não havia dinheiro para pagar a patente internacional”, declarou. Para preservar ao menos a patente nacional, a cientista afirma ter arcado com custos do próprio bolso.

A perda da proteção fora do Brasil significa que a tecnologia deixa de ter exclusividade comercial em outros países, o que pode reduzir o potencial de retorno financeiro e estratégico para o país. Em dezembro de 2023, a descoberta já havia rendido R$ 3 milhões em royalties à UFRJ — valor dividido entre os inventores, a universidade e o Instituto de Ciências Biomédicas, sendo o maior montante de royalties já recebido pela instituição até então.

O caso reacende o debate sobre financiamento público, proteção intelectual e soberania tecnológica, especialmente em áreas de alto impacto social como a medicina regenerativa.

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