O Brasil mantém uma relação antiga com o Oscar, premiação concedida pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos. Ao longo das décadas, o país teve participações pontuais na premiação, mas as chances reais de vitória se intensificaram nos últimos anos, culminando na conquista do primeiro Oscar em 2025, na categoria de Melhor Filme Internacional, com Ainda Estou Aqui.
Neste domingo (15), a cerimônia da 98ª edição pode acrescentar um novo capítulo a essa trajetória, com cinco indicações ligadas ao Brasil ainda à espera do resultado. O Brasil acumulou ao longo da história mais de 20 indicações ao Oscar, considerando produções e coproduções. Só na categoria de Filme Internacional, anteriormente Filme Estrangeiro, foram 6 indicações ofocialmente brasileiras.
Samba pioneiro
A presença brasileira na premiação começou ainda na década de 1940. Em 1945, a composição Rio de Janeiro, de Ary Barroso, concorreu ao prêmio de Melhor Canção Original pelo filme estadunidense Brazil, marcando a primeira participação do país no Oscar.
Nos anos seguintes, produções filmadas no país também ganharam destaque. Em 1960, a coprodução ítalo-franco-brasileira Orfeu Negro, rodada no Rio de Janeiro e com elenco majoritariamente brasileiro, venceu o Oscar de Melhor Filme Internacional representando a França. Três anos depois, o Brasil conquistou sua primeira indicação oficial na categoria com O Pagador de Promessas (1963), dirigido por Anselmo Duarte.
A próxima indicação viria somente em 1979, com a coprodução Raoni, que retrata a vida do líder indígena Raoni Metuktire, que disputou o Oscar de Melhor Documentário. Poucos anos depois, em 1982, a produtora brasileira Tetê Vasconcellos foi indicada na mesma categoria por seu trabalho no documentário estadunidense El Salvador: Another Vietnam.
Em 1986, o filme O Beijo da Mulher Aranha, dirigido por Héctor Babenco, recebeu quatro indicações ao Oscar, entre elas Melhor Diretor e Melhor Ator — categoria na qual William Hurt venceu a estatueta. Embora fosse uma coprodução com participação brasileira, o longa concorreu pelos Estados Unidos por ser falado em inglês, apesar de ter sido filmado em São Paulo e contar com elenco majoritariamente brasileiro. Naquele ano, Sônia Braga, estrela do filme, subiu ao palco para apresentar uma categoria do Oscar.
Retomada do cinema nacional

Nos anos 1990, depois da extinção da Embracine, o cinema brasileiro ficou mais de cinco anos sem uma produção massiva de filmes, que só retornaria em 1995, na chamada Retomada do Cinema Brasileiro. Logo, o Brasil voltou a disputar o prêmio de Melhor Filme Internacional com três produções: O Quatrilho (1996), de Fábio Barreto; O Que É Isso, Companheiro? (1998), de Bruno Barreto; e Central do Brasil (1999), de Walter Salles. O último também rendeu uma indicação histórica de Melhor Atriz para Fernanda Montenegro.
A presença brasileira continuou nos anos 2000. Em 2001, Paulo Machline concorreu ao Oscar de Melhor Curta-Metragem em Live-Action com Uma História de Futebol. Em 2004, Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, surpreendeu ao receber quatro indicações: Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Edição.
Na mesma edição, Carlos Saldanha foi indicado ao prêmio de Melhor Curta-Metragem de Animação pelo curta estadunidense Gone Nutty (2003). No ano seguinte, a coprodução Diários de Motocicleta, dirigida por Walter Salles, concorreu em duas categorias. O filme concorreu como Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção, Al Otro Lado Del Río, do cantor uruguaio Jorge Drexler que ganhou a estatueta.
A partir de 2010, produções relacionadas ao Brasil continuaram a aparecer na premiação. Em 2011, Lixo Extraordinário, sobre o artista plástico Vik Muniz, disputou o Oscar de Melhor Documentário. No ano seguinte, Sérgio Mendes e Carlinhos Brown foram indicados a Melhor Canção Original com Real in Rio, da animação Rio.
Em 2015, Juliano Salgado foi indicado ao prêmio de Melhor Documentário por O Sal da Terra, sobre o fotógrafo Sebastião Salgado. Já em 2016, O Menino e o Mundo, de Alê Abreu, concorreu a Melhor Filme de Animação. Dois anos depois, Carlos Saldanha voltou à disputa com O Touro Ferdinando, também indicado na categoria de animação.
Entre os documentários recentes, Democracia em Vertigem (2020), de Petra Costa e Tiago Pavan, recebeu indicação ao Oscar, assim como o curta Onde Eu Moro (2022), dirigido por Pedro Kos.
O primeiro Oscar

Em 2025, o filme Ainda Estou Aqui marcou um momento histórico para o cinema nacional ao ser indicado a três categorias: Melhor Filme, Melhor Atriz — com Fernanda Torres — e Melhor Filme Internacional. Ao vencer nesta última categoria, o Brasil conquistou sua primeira estatueta na história da premiação.
Na edição deste ano, o país volta a aparecer entre os indicados. O diretor de fotografia Adolpho Veloso concorre ao prêmio de Melhor Fotografia pelo filme estadunidense Sonhos de Trem. Já O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, recebeu quatro indicações: Melhor Filme, Melhor Ator para Wagner Moura, Melhor Filme Internacional e Melhor Direção de Elenco — categoria estreante na premiação.
Com cinco indicações ligadas ao Brasil na cerimônia deste domingo (15), a trajetória iniciada há mais de oito décadas continua em expansão, reforçando a presença do cinema brasileiro no cenário internacional.














