Flávia Saraiva conquistou, neste domingo (25/10), a medalha de bronze na final da trave do Campeonato Mundial de Ginástica Artística, realizado em Roterdã, na Holanda. Com 14,300 pontos, a ginasta carioca garantiu o segundo pódio do Brasil na competição, encerrada neste domingo. No sábado (24/10), Rebeca Andrade havia conquistado a medalha de ouro no salto sobre a mesa.
O título da trave ficou com a argelina Kaylia Nemour, seguida pela chinesa Zhang Qingying, que terminou com a prata. Ambas registraram 14,566 pontos, mas Nemour garantiu a primeira colocação pelo critério de desempate, com vantagem na nota de execução: 8,266 contra 8,066.
Com o bronze na trave, Flávia Saraiva alcançou sua terceira medalha em Campeonatos Mundiais de Ginástica Artística. Em 2023, na Antuérpia, na Bélgica, a atleta conquistou a prata por equipes e o bronze no solo. A conquista em Roterdã também marcou o segundo pódio brasileiro na trave em Mundiais, após a medalha de bronze de Rebeca Andrade, em 2023.
Com as duas medalhas conquistadas nesta edição, o Brasil chegou a 27 pódios na história dos Campeonatos Mundiais de Ginástica Artística, dos quais 17 foram obtidos por atletas da ginástica artística feminina.
Flávia Saraiva conquista primeira medalha mundial na trave
O resultado encerrou uma sequência de participações de Flávia Saraiva em finais da trave sem conquistar medalhas. A brasileira já havia disputado decisões do aparelho nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, e de Tóquio, em 2020, além dos Mundiais de Stuttgart, em 2019, e Jacarta, em 2025. Em todas essas ocasiões, terminou fora do pódio.
Sétima ginasta a se apresentar na final, Flávia executou a ligação de entrada e a cortada com meia-volta no início da série. Em seguida, realizou uma sequência acrobática com dois layouts e uma cortada anel. Na parte final, apresentou uma sequência mista e um mortal lateral, antes de concluir a apresentação com um duplo carpado, registrando apenas um pequeno passo na aterrissagem.
A execução garantiu 14,300 pontos, sendo 6,100 pela dificuldade da série e 8,200 pela execução, pontuação suficiente para assegurar a terceira colocação. “Esta conquista foi especial, porque nunca havia antes ganho uma medalha na trave, e já são dez anos tentando, praticamente. Portanto, conseguir isso me deixa muito feliz. Isso é pra Flavinha, pequenininha, de 2016, que ficou em quinto lugar na Olimpíada, por 0.10. Senti que hoje era o dia. Eu tinha que brilhar hoje. Tava sentindo isso no meu coração”, disse Flávia, ao comentar a conquista e recordar sua participação nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.
A ginasta também destacou a decisão de assumir riscos durante a apresentação, diante das notas registradas pelas adversárias.“Quando vimos as notas que as meninas tavam conseguindo, resolvi ir para o tudo ou nada e arriscar, pra fazer todas as ligações”, acrescentou.
Treinador destaca superação e estratégia na final O treinador Francisco Porath Neto, conhecido como Xico, destacou a persistência de Flávia Saraiva e a importância da estratégia adotada para a disputa da medalha. “Já faz anos que ela luta por isso, sempre está nas finais. Mas hoje foi um dia em que ela se superou. Falei pra ela ter coragem. E foi lindo demais. Ela merece tudo isso”, afirmou Xico.
Segundo o técnico, o nível das apresentações na fase classificatória exigiu uma série com maior grau de dificuldade para aumentar as chances de pódio. “Foi necessário arriscar. Na classificatória, as notas estavam muito altas. Eram muitas meninas muito próximas para se conseguir um lugar entre as três na final. Agora é curtir a medalha, voltar para casa e descansar. E depois retomar o trabalho, para conquistarmos outras”, finalizou.

































