O agronegócio manteve papel central no comércio exterior de Goiás no primeiro semestre de 2026. Impulsionado principalmente pelas exportações de soja e carne bovina, o estado fechou o período com superávit comercial de US$ 4,21 bilhões. Entre janeiro e junho, Goiás exportou US$ 7,06 bilhões, alta de 4,47% em relação ao mesmo período de 2025. As importações somaram US$ 2,85 bilhões, crescimento de 5,72%, enquanto a corrente comercial ultrapassou US$ 9,9 bilhões.
Os dados foram produzidos pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e analisados pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg). O levantamento aponta alta de 4,83% na movimentação total do comércio exterior goiano. No ranking nacional, Goiás ocupou a oitava posição entre os estados brasileiros em volume de exportações. As vendas externas goianas responderam por 3,82% do total exportado pelo país no período. Nas importações, o estado ficou na 11ª posição, com participação de 2% no total nacional.
A soja em grão continuou como o principal produto da pauta exportadora de Goiás. O grão respondeu por 43,07% de todas as vendas externas realizadas pelo estado no primeiro semestre. Embora a participação seja menor que os 49,35% registrados no mesmo período de 2025, o produto mantém uma posição central no resultado da balança comercial goiana. A força do agronegócio também aparece no desempenho das carnes bovinas. As exportações de carne bovina desossada congelada cresceram 29,50% e alcançaram US$ 943,9 milhões entre janeiro e junho. O avanço reforça a participação da cadeia pecuária entre os principais segmentos responsáveis pelas vendas de Goiás ao exterior.
Os números mostram ainda uma ampliação da presença de outros produtos na pauta estadual. Os concentrados de cobre registraram crescimento de 113,85% e movimentaram US$ 376,4 milhões no semestre. Mesmo com esse avanço de outros setores, o complexo agropecuário segue como principal sustentação das exportações goianas.
Municípios do agro
A concentração das vendas externas em municípios ligados à produção agropecuária também evidencia o peso do setor na economia goiana. Rio Verde liderou o ranking estadual de exportações, com US$ 1,886 bilhão. O município respondeu sozinho por 26,72% de todas as vendas de Goiás para o mercado internacional no primeiro semestre. Jataí ocupou a segunda posição, com US$ 596,3 milhões em exportações. Na sequência aparece Mozarlândia, com US$ 393,1 milhões e crescimento de 34,13% em relação ao primeiro semestre de 2025. Os três municípios têm forte relação com cadeias do agronegócio e figuram entre os principais responsáveis pela presença de Goiás no comércio exterior.
O desempenho dos municípios ajuda a dimensionar a importância da produção agropecuária para a balança comercial estadual. A exportação de commodities agrícolas e de proteínas animais movimenta diferentes regiões de Goiás e mantém o estado entre os principais exportadores do país. A liderança de Rio Verde, Jataí e Mozarlândia reforça essa distribuição territorial.
A China permaneceu como o principal parceiro comercial de Goiás no primeiro semestre. As exportações goianas destinadas ao país asiático somaram US$ 770,8 milhões, alta de 40,64% em comparação com 2025. O mercado chinês respondeu por 10,92% de todas as vendas externas realizadas pelo estado. A relação com a China é especialmente relevante para uma pauta exportadora concentrada em produtos agropecuários e commodities. O crescimento das compras chinesas contribuiu para o resultado positivo das vendas externas goianas no semestre. Ao mesmo tempo, o relatório do CIN aponta uma dependência elevada desse mercado.
Do lado das importações, a China também ocupou a primeira posição. O país respondeu por 27,08% de tudo o que Goiás adquiriu no exterior, com crescimento superior a 40%. Os dados mostram a dimensão da relação comercial entre Goiás e o mercado chinês, tanto na compra quanto na venda de produtos.
Junho e Julho
Junho foi o mês de maior crescimento no comércio exterior goiano durante o primeiro semestre. As exportações avançaram 15,87%, enquanto as importações cresceram 29,29%. Segundo o CIN, o resultado das compras foi influenciado pela aquisição de máquinas, equipamentos, insumos industriais e produtos químicos. Março apresentou o cenário oposto e concentrou as maiores retrações do período. As importações caíram 10,50%, enquanto as exportações recuaram 15,15%. A redução nas vendas externas foi atribuída, entre outros fatores, à sazonalidade das exportações do complexo da soja e às oscilações nos embarques de commodities minerais.
Os dados reforçam como o calendário de produção e comercialização do agronegócio influencia o desempenho mensal da balança comercial. Mesmo com oscilações ao longo do semestre, Goiás encerrou o período com crescimento nas exportações e um superávit superior a US$ 4 bilhões. A participação da soja e da carne bovina foi determinante para esse resultado.
Em julho, Goiás manteve saldo positivo no comércio exterior, com superávit de US$ 769,2 milhões. As exportações somaram US$ 1,4 bilhão, alta de 4,6% em relação ao mesmo mês de 2025. As importações alcançaram US$ 596,7 milhões, enquanto a corrente comercial total chegou a US$ 2 bilhões. O resultado manteve Goiás na oitava posição nacional em exportações no mês. As vendas externas do estado responderam por 4,3% do total brasileiro. Apesar da alta nas exportações, o superávit ficou abaixo dos valores registrados em julho de 2023, 2024 e 2025.
A China permaneceu como principal parceiro comercial de Goiás também em julho. O resultado prolonga uma relação que tem peso relevante para o agronegócio e para o conjunto da economia estadual. A pauta exportadora goiana continua sustentada principalmente pela produção agropecuária, enquanto novos produtos buscam ampliar sua participação no comércio exterior.
















