A dramaturgia brasileira perdeu uma de suas figuras mais emblemáticas. A atriz Glória Menezes morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos, em sua residência no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela família da artista. Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Glória construiu um legado nos palcos, no cinema e na televisão, onde interpretou personagens marcantes que conquistaram gerações.
Antes de dar vida a grandes personagens, a gaúcha Nilcedes Soares Guimarães dedicou-se ao estudo do piano na juventude. A paixão pelas artes dramáticas falou mais alto nos anos 1950, quando ingressou na Escola de Arte Dramática. Em 1959, perto de concluir o curso, estreou profissionalmente no teleteatro da TV Tupi, participando ativamente de um período histórico para o audiovisual no Brasil.
Sua estreia profissional ocorreu no teleteatro da TV Tupi, período fundamental para a formação da televisão no país. Em 1959, participou da novela Um Lugar ao Sol, na TV Excelsior, e no ano seguinte adotou o nome artístico Glória Menezes ao estrear nos palcos em As Feiticeiras de Salém, sob direção de Antunes Filho. O reconhecimento internacional veio com o longa-metragem O Pagador de Promessas (1962), dirigido por Anselmo Duarte a partir da obra de Dias Gomes. No filme, Glória viveu a personagem Rosa. A produção conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes e recebeu indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
Casal símbolo da TV brasileira
Em 1963, a trajetória de Glória Menezes ganhou um novo marco ao protagonizar 2-5499 Ocupado, na TV Excelsior. Na trama, interpretava uma presidiária e fazia par romântico com Tarcísio Meira, com quem se casaria em outubro daquele ano. A parceria, que transbordou da ficção para a vida real, tornou-se uma das mais emblemáticas da história da televisão brasileira. Em 1964, o casal teve Tarcísio Filho — único herdeiro do ator e o terceiro de Glória, que já era mãe de Maria Amélia e João Paulo, frutos de um união anterior. Na TV Globo, Glória e Tarcísio se consolidaram como o casal símbolo das telenovelas, atuando juntos em clássicos como Sangue e Areia (1967–1968), “Guerra dos Sexos” (1983), a série “Tarcísio & Glória” (1988), “Páginas da Vida” (2006) e A Favorita (2008).
A versatilidade da atriz, contudo, também brilhou de forma única em seus trabalhos solo. Em Irmãos Coragem (1970), obra histórica de Janete Clair, Glória deu vida a Lara, uma jovem marcada por três personalidades distintas. Também interpretou papéis inesquecíveis como a carismática Rosemere em Brega & Chique (1987) e a vilã falida Laurinha Figueroa em Rainha da Sucata (1990) — cuja cena marcante de queda na Avenida Paulista entrou para o folclore da teledramaturgia nacional.Nos palcos, Glória manteve uma presença constante e ousada.
Dividiu a cena com Tarcísio na comédia Tudo Bem no Ano Que Vem (1976) e entregou atuações intensas, como na peça Jornada de um Poema (2000), na qual viveu uma professora em tratamento contra o câncer e raspou a cabeça. Uma de suas últimas aparições na televisão foi em Totalmente Demais (2015), no papel da elegante Stelinha. Atravessando gerações e diferentes fases do audiovisual, Glória Menezes deixa um legado indissociável da história da cultura no Brasil.
















