A Orquestra Sinfônica Jovem de Goiás recebeu a Orquestra Jovem de Berlim na sexta-feira (10), às 20h, no Teatro Escola Basileu França, em Goiânia. O encontro integrou o projeto Lado a Lado e reuniu cerca de 50 músicos alemães em uma apresentação que destacou o intercâmbio cultural entre Brasil e Alemanha.
O evento, chamado de Concerto da Amizade, contou com a presença do ministro da embaixada da Alemanha, Wolfgang Bindsel, e reforçou a colaboração artística entre os grupos, que já haviam dividido palco em 2024, na Konzerthaus, em Berlim, durante turnê internacional dos músicos goianos.
À frente dos grupos sinfônicos da Escola do Futuro de Goiás em Artes Basileu França, o maestro Eliel Ferreira destacou o alcance simbólico do encontro ao afirmar que “a sociedade tem muita esperança de um futuro maravilhoso” e que, mesmo com línguas e culturas diferentes, os músicos conseguem se entender “pela música, pelo gesto, pela humanidade que existe em cada um de nós”. Segundo ele, a apresentação também marca um momento inédito no estado, já que é a primeira vez que Goiás recebe uma orquestra sinfônica europeia, criando novas perspectivas para os jovens músicos e para o público.
União musical
O programa foi estruturado para evidenciar elementos das tradições musicais dos dois países. A abertura trouxe a Sinfonia nº 7, de Ludwig van Beethoven, sob regência de Michael Riedel. Composta entre 1811 e 1812, a obra é conhecida pelo vigor rítmico e pela intensidade, características que a tornaram uma das mais emblemáticas do período chamado heroico do compositor.
Na segunda parte, as duas orquestras dividiram o palco para interpretar as Bachianas Brasileiras nº 7, de Heitor Villa-Lobos. A peça evidencia a fusão entre o contraponto barroco e ritmos brasileiros, síntese da linguagem do compositor, responsável por projetar a música orquestral brasileira no cenário internacional.
Michael Riedel ressaltou o valor da experiência conjunta ao afirmar que “o mais bonito é que estamos tocando juntos”, destacando que interpretar Villa-Lobos ao lado de músicos brasileiros amplia o sentido da obra. Ele também observou que, após passagens por São Paulo e Rio de Janeiro, foi em Goiânia que o grupo se sentiu mais próximo da vivência cultural brasileira.
Intercâmbio cultural
O concerto evidenciou o envolvimento dos jovens músicos, perceptível tanto na execução quanto na interação entre os grupos. No encerramento, já sob regência de Eliel Ferreira, as orquestras reunidas apresentaram Brasileirinho e Aquarela do Brasil, em uma leitura marcada pela intensidade e pela resposta do público, que lotou o teatro.
A violinista Regina Wingand destacou a troca artística como um dos pontos centrais do encontro ao afirmar que os músicos goianos impressionam “pela alegria e pela energia ao tocar”, enquanto os alemães trazem uma abordagem mais focada na precisão coletiva. Para ela, essa combinação aponta para uma síntese possível entre técnica e emoção, fortalecendo a experiência de ambos os grupos.
Mais do que um concerto, o encontro reafirmou a música como linguagem comum e espaço de convergência entre culturas, aproximando trajetórias distintas em uma mesma experiência estética e formativa.














