De forma inédita, a primeira cooperativa formada apenas por arquitetas foi criada em Goiânia. A Barunea realizou, no último sábado (21), sua assembleia de constituição e passou a atuar como cooperativa de trabalho no setor de arquitetura em Goiás e no Brasil.
A cooperativa tem como princípios a colaboração, a inovação e a atuação coletiva. A primeira reunião oficial do grupo foi realizada com as 11 cooperadas fundadoras. O nome Barunea deriva do baru, castanha típica do Cerrado, e reforça a conexão regional do grupo.
A arquiteta Júlia de Moraes, presidente da cooperativa, afirma que o crescimento do cooperativismo como modelo de negócios em Goiás foi determinante para a criação do projeto. “Acreditamos que a colaboração mútua impulsiona o crescimento e amplia possibilidades de atuação. Nossa base está em Goiás, com presença também em Brasília”, diz.
De acordo com Luís Alberto Pereira, presidente do Sistema OCB/GO, a criação da Barunea abre espaço para parcerias entre cooperativas, especialmente em projetos de construção, reforma e adaptação de unidades. “É muito importante ter dentro do Sistema OCB/GO um portfólio de cooperativas de prestação de serviços e fornecimento de produtos variados para que possamos praticar cada vez mais o nosso sexto princípio, que é a intercooperação. É uma iniciativa que ajuda a fortalecer o cooperativismo como um todo”, ressalta.
Trajetória
A cooperativa enfrentou desafios no processo de criação. Segundo Júlia de Moraes, a burocracia foi um dos principais entraves, superado com apoio de mentoria da cooperativa de inovação Sparkoop.
Outro desafio foi a adesão de profissionais, já que muitas arquitetas não conheciam o modelo cooperativista. Com o avanço das articulações, o grupo reuniu profissionais com diferentes experiências. “Apresentamos o modelo e estruturamos um time alinhado ao propósito da cooperativa”, afirma.
Para a presidente, o cenário atual é favorável. “O setor de arquitetura cresce de forma consistente, e Goiás vive um momento de expansão, com destaque para projetos corporativos e comerciais”, avalia.
Diferenciais
A Barunea propõe um modelo alternativo aos escritórios tradicionais, com atuação coletiva e maior capacidade operacional. A estrutura permite atender demandas de diferentes escalas, incluindo projetos comerciais de grande porte.
Segundo a dirigente, o formato também organiza a remuneração de forma proporcional à entrega das profissionais e prevê distribuição de resultados entre as cooperadas.
O mercado de arquitetura no Brasil ainda enfrenta precarização, pejotização e atuação isolada, enquanto o cooperativismo oferece estrutura profissional, divisão de gestão e acesso a projetos de maior porte. “A proposta é substituir a atuação individual por um modelo colaborativo, com compartilhamento técnico e divisão de responsabilidades”, explica.
Atuação
Inicialmente, a Barunea atua em duas frentes: mercado corporativo e prestação de serviços para empresas. O grupo pretende atender outras cooperativas, participar de licitações públicas e desenvolver projetos que integrem arquitetura e estratégias de marca para empresas em expansão.
A união dos portfólios das arquitetas amplia a capacidade técnica do grupo e atende aos critérios exigidos em concorrências e projetos de maior escala.

A Barunea tem 11 cooperadas e atuará, principalmente, em parceria com outras cooperativas (Foto: Divulgação)














