O segundo dia da Semana de Moda de Milão (Outono/Inverno 2026), realizado em 25 de fevereiro, consolidou o clima de transição criativa que envolve a capital italiana. A programação reuniu estreias aguardadas, reposicionamentos estéticos e leituras contemporâneas de casas tradicionais, desenhando um panorama que combina herança, técnica e narrativa.
Nas passarelas, as coleções sinalizaram direções claras para a temporada, do minimalismo escultural da Jil Sander ao luxo boho e relaxado da Etro, passando pela malharia estruturada como armadura proposta pela Missoni. A seguir, confira os principais destaques do segundo dia da temporada:
Fendi
O momento mais esperado foi a estreia de Maria Grazia Chiuri na direção criativa da Fendi. Após sua saída da Dior, a estilista retorna à marca onde iniciou a carreira, propondo uma coleção que equilibra memória e funcionalidade.
A apresentação celebrou o ateliê e a feminilidade pragmática. Chiuri revisitou arquivos, mas substituiu a opulência explícita por uma sofisticação utilitária. O couro, trabalhado como se fosse tecido, apareceu em vestidos fluidos e trench coats leves, demonstrando domínio técnico. A icônica bolsa Baguette surgiu em versões quase desprovidas de ferragens, com foco absoluto em forma e matéria-prima.
Jil Sander
Na Jil Sander, a direção criativa apostou em um minimalismo de tensão arquitetônica. A coleção foi além do “menos é mais” ao explorar o espaço ao redor do corpo, com alfaiataria precisa e volumes calculados.
Casacos de lã com cortes geométricos e golas estruturadas eliminaram a necessidade de acessórios, enquanto a paleta partiu do branco giz e do preto, interrompida por amarelo manteiga e azul gelo. O resultado foi um minimalismo carregado, que transmite poder por meio da contenção formal.
Etro
Sob o comando de Marco De Vincenzo, a Etro reforçou seu reposicionamento urbano. A marca apresentou uma leitura mais limpa do boho-chic, apostando na chamada “polidez boho”.
Veludo devorê dialogou com jaquetas de couro oversized, enquanto o tradicional paisley apareceu desconstruído em tricôs densos. A colaboração inédita com a Birkenstock levou à passarela modelos que traduzem o conceito de luxo relaxado, unindo conforto e estamparia sofisticada.
Missoni
A Missoni deslocou o foco dos vestidos leves para uma construção de inverno robusta. A marca apresentou uma espécie de armadura feita de fios, com sobreposições de diferentes densidades de tricô que criaram efeito visual tridimensional.
Casacos de jacquard com ombreiras dramáticas estruturaram silhuetas em “V”, evocando referências oitentistas sem perder o DNA da malharia. O resultado foi assertivo, com volumes estratégicos nos ombros e sobreposições de couro e bombardeiros volumosos.
Clima de transição
A influência brasileira também se fez presente. Silvia Braz e Maria Braz acompanharam desfiles importantes da programação, ampliando a visibilidade nacional no circuito internacional.
Esta edição da semana de moda ocorre sob um clima simbólico de transição. A morte de Giorgio Armani, aos 91 anos, no início do mês, marcou profundamente o cenário italiano e reforçou a percepção de que Milão vive um momento de renovação criativa. Entre herança e reinvenção, o segundo dia da temporada deixou claro que a capital lombarda continua determinada a ditar o ritmo do inverno 2026.














