A Semana de Alta-Costura de Paris teve início nesta segunda (26), com desfiles que reafirmam o papel da couture como território de emoção, experimentação e excelência artesanal. Estreias aguardadas, narrativas visuais potentes e o domínio absoluto do fazer manual marcaram os primeiros dias da temporada mais exclusiva do calendário da moda.
Entre os destaques está a estreia de Jonathan Anderson na alta-costura da Dior, apresentada nesta segunda-feira (26), no Museu Rodin. Nomeado diretor criativo de todas as linhas da maison após a saída de Maria Grazia Chiuri, o estilista norte-irlandês realizou a última estreia que lhe faltava dentro da casa francesa, consolidando sua nova fase à frente da Dior.
O olhar de Jonathan Anderson para a Dior
A coleção de Primavera-Verão 2026 se destacou pelos volumes estruturados, pelas inspirações botânicas e pela valorização do trabalho artesanal. Anderson olhou para o passado da Dior sem abrir mão de sua própria identidade criativa, propondo uma alta-costura sensível, experimental e profundamente conectada à natureza.
Entre as referências, o estilista trouxe o trabalho da ceramista queniana Magdalene Odundo, traduzindo as formas orgânicas de suas esculturas em estruturas de roupas. O apreço pelo fazer manual também apareceu na escolha das texturas, no uso de tecidos reciclados do século 18 para as bolsas e na incorporação de materiais inusitados, como fósseis e meteoritos, no desenvolvimento de joias.
A botânica atravessou toda a coleção, com flores e plantas em seda, plumas de chiffon e aplicações que surgiam também nos acessórios. Buquês de cíclame, flor presenteada a Anderson por John Galliano, diretor criativo da Dior entre 1996 e 2011, surgiram como símbolos poéticos de continuidade criativa e respeito à história da maison.
A beleza acompanhou o tom natural da coleção, com maquiagem leve, sem máscara de cílios, e cabelos penteados para trás com efeito molhado. O elemento inusitado ficou por conta de apliques de franjas coloridas que cobriam parcialmente o rosto de algumas modelos, reforçando o diálogo com a temática natural. Na primeira fila, nomes como Rihanna, Jennifer Lawrence, Anya Taylor-Joy, Taylor Russell, Alexa Chung, Greta Lee e a influenciadora brasileira Livia Nunes acompanharam de perto a estreia de Anderson na alta-costura.
Schiaparelli e a emoção da couture
Responsável por abrir oficialmente a semana, a Schiaparelli apresentou sua coleção verão 2026 sob direção criativa de Daniel Roseberry. Intitulada The Agony and The Ecstasy, a proposta investiga a relação entre emoção, beleza e desconforto em tempos de excesso de imagens e inteligência artificial.
A coleção transformou mulheres em criaturas híbridas, ao mesmo tempo monstruosas e encantadoras, com chifres, asas, espinhos, ferrões e rabos. Vestidos, conjuntos de alfaiataria e bustiês foram obsessivamente confeccionados à mão, com bordados tridimensionais sustentados por estruturas metálicas e milhares de penas falsas dispostas em degradês intensos.
Referências a aves do paraíso, beija-flores e figuras mitológicas dividiram espaço com ecos de criadores como Thierry Mugler, Alexander McQueen e da própria Elsa Schiaparelli. Blazers de ombros marcados, pepluns e recortes nas costas atualizaram códigos históricos da maison, enquanto acessórios com cabeças de animais e joias exuberantes reforçaram o caráter fantástico da apresentação.
Guiado pela emoção, Roseberry propôs uma couture que aposta na imaginação como ferramenta para provocar sentimentos reais, reafirmando a alta-costura como um dos últimos espaços onde a moda ainda pode emocionar, provocar e desafiar o olhar.















