CULTURA - 13/03/2017

"Hermaflordita" narra o drama de uma garota em busca da própria identidade


Um drama vivido por personagens fortes e com cenas de dramaticidade e acidez fazem a trilha da peça Hermaflordita, que estreia nos dias 15 e 16 de março, no Centro Cultural UFG. O projeto ousado narra as aventuras de uma garota jovem em busca de sua filha e da própria identidade. O espetáculo tem texto do dramaturgo Almir de Amorim e é dirigido por Luzia Mello. No elenco estão Adryele Muriel, Tiago Rener, Carol Feitoza, Eduardo Babugem, Izabela Grazielle e Yanke Amorim. O título Hermaflordita é uma licença poética para o termo hermafrodita, já que se trata de uma jovem que, por sua aparência, é confundida com um rapaz.

O espetáculo teatral tem uma linguagem contemporânea que usa recursos diversos aplicados livremente à cena teatral. A diretora Luiza Mello diz que vai do sacro ao profano, numa concepção contundente e apaixonada. “Chego a dizer que fui abduzida pelo texto. Dedico-me com uma entrega ímpar, trabalho com um elenco e uma equipe técnica de capacidade indiscutível. Não me atenho a uma estética embasada em nomes dos grandes célebres da teoria das artes cênicas ou filosofias de arte. Vejo, porém, algumas aproximações com propostas de excelentes artistas e pensadores que têm regido o caminho do teatro”, explica a diretora.

Para a atriz Adryele Muriel, Hermaflordita é um projeto ousado e irreverente. “Estar nele é uma constante superação. A entrega de toda a equipe é uma experiência única”, diz ela. O ator Tiago Rener se diz lisonjeado por estar no elenco. “Primeiramente, em respeito a Almir de Amorim, com sua pegada arrojada em descrever personagens fortes e bastante viscerais. Também pela direção de Luzia Mello, que sempre surpreende com sua facilidade de levar as cenas com dramaticidade e acidez como o dramaturgo descreve”, define Tiago.

Enredo

Leia é a personagem principal. Uma jovem que foi presa, ainda menor de idade e por engano, em um presídio masculino por ter sido confundida ao parecer-se com um rapaz. Dentro do presídio, ela engravida, o que pareceu estranho aos olhos de todos que a tinham como rapaz. Leia tem perfil incisivo de quem cresceu em um ambiente vulnerável, com muitas ações anteriores que a comprometiam e a faziam se parecer com um rapaz perigoso. Ela viveu intensamente seus poucos anos de existência.

Leia é retirada desse convívio e tem sua filha arrebatada por uma irmandade secreta de outro país. Ela só sabe que a irmandade consta ser uma ordem religiosa. Passa a viver na casa de uma ex-funcionária que nunca é vista. Para se manter, paga seus estudos como garota de programa de forma reservada. Mas decide ir ao exterior, em busca de sua filha.

Há um coro que a tem como uma espécie de maldição e a atormenta o tempo todo. O coro é formado por cinco atores que se revezam entre personagens diversos e passeiam pelo universo de Leia, com o uso de elementos circenses, da cultura popular, da dança e do lamento de seres que alegram e atormentam seu destino prescrito.

Anote!
Peça: Hermaflordita
Data: 15 de março, às 20 horas, e 16 de março, às 9 horas e às 20 horas
Local: Centro Cultural UFG (Av. Universitária, nº 1.533, Praça Universitária, Setor Leste Universitário)
Entrada franca

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