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Setembro Amarelo: o mês de prevenção ao suicídio

Em consequência de todos os problemas trazidos pela pandemia, cuidados especiais para a manutenção da saúde mental, especialmente quanto à depressão, devem receber atenção extra na Campanha do Setembro Amarelo de 2021
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Foto: divulgação

Com a pandemia do novo coronavírus, a necessidade do alerta à sociedade em relação aos impactos negativos à saúde mental se torna maior e deve-se ter mais cautela. Consequências como o desemprego, medo, perda de familiares e/ou amigos causam estresse, ansiedade e depressão, fatores que aumentam consideravelmente o número de casos de atentados à própria vida. Além disso, com o isolamento social, o fato de as pessoas terem menos atividades presenciais dificulta ainda mais para que alguém próximo perceba os sinais de alerta.

“A maioria das pessoas que tentam suicídio percebem os sinais de que isso possa acontecer e, normalmente, pedem ajuda médica. Contudo, com a quarentena, a pessoa tende a ter um comportamento mais introvertido, mantendo-se triste, e até mesmo apresentar condutas suicidas, como a falta de valorização própria e dos autocuidados.  Um exemplo é a pessoa diabética que come açúcar e não toma insulina ou o doente do coração que para de tomar o remédio”, explica o Dr. Marcel Fulvio Padula Lamas, Coordenador da Psiquiatria do Hospital Albert Sabin de SP (HAS).

Em tempos de pandemia, o ideal é manter-se sempre um contato, de preferência online, para que a pessoa que está com depressão ou ansiedade não fique muito tempo isolada. “Normalmente, a pessoa não quer se matar, praticamente nenhum suicida realmente quer. O que eles querem, na verdade, é aliviar uma enorme angústia emocional que estão sentindo, embora estejam lutando por dentro para não cometerem nada contra si mesmas”, diz o Dr. Lamas.

É importante salientar sempre que depressão não é “frescura” e sim uma doença que deve ser tratada e combatida como todas as outras. A melhor postura em relação às pessoas que estejam sofrendo de depressão é não menosprezar o que estão sentindo, pois, essas alterações estão machucando-as muito e de modo intenso. “Diante de uma pessoa depressiva, devemos acolhê-la e nos mostrar próximos. Mostrar que ela não está sozinha, que não é um peso e, mais do que qualquer outra coisa, auxiliá-la a procurar ajuda psiquiátrica e psicoterápica. Os dois caminhos associados são ideais para que dúvidas sejam esclarecidas e para que os pacientes possam se recuperar de seus quadros”, observa o médico do HAS.

De acordo com um estudo feito pela consultoria Eureka The Truth, 70% dos jovens brasileiros, que nunca haviam apresentados sintomas psiquiátricos, tiveram piora na saúde mental por causa do isolamento social.

Outros dados relevantes ao assunto são: (Fonte C.V.V)

  • No mundo todo, a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio. No Brasil, a cada 45 minutos alguém tira a própria vida;
  • 90% dos casos de suicídio podem ser prevenidos ao conversar com a pessoa em risco;
  • Segundo dados do IBOPE, o suicídio ao redor do mundo está em queda, contudo, o Brasil está na contramão, onde o número de pessoas que atentam contra a própria vida cresce, principalmente entre os jovens;
  • Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que pessoas entre 15 e 24 anos compõem o maior grupo de risco de suicídio, sendo a segunda causa de morte de jovens ao redor do mundo. O relatório aponta também que é crescente o risco entre crianças de 5 a 9 anos;
  • A depressão é a principal causa do suicídio no mundo, seguido pelo uso de álcool e drogas;
  • As redes sociais compõem um dos ambientes mais favoráveis para o desenvolvimento de gatilhos para a depressão;
  • No ano passado, o Centro de Valorização da Vida (CVV) recebeu 351.427 ligações, o que equivale a 167 chamadas para cada 100.000 habitantes.

“Procurar ajuda profissional que esteja apta a entender melhor os problemas, e muitas vezes até salvar a vida, de alguém que esteja passando por esse tipo de problema é fator preponderante para evitar o mal maior, que é o suicídio. Todos merecem ter uma saúde mental adequada, portanto, não é necessário ter medo, preconceito ou qualquer receio em procurar o auxílio de um psiquiatra ou de um psicólogo. Muitas vezes, o indivíduo pode salvar uma vida só de dar essa oportunidade a si mesmo ou a terceiros”*, finaliza o Dr. Lamas.

*Em casos de extrema urgência, ligue 188- C.V.V – Centro de Valorização à Vida.