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Quando a praia encontra a cidade

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Segundo o professor Leonardo Bridi, “O beach tennis vem junto com um estilo de vida”. na foto, entre os atletas da modalidade Leonardo Granja e Jacob Facuri

Sol forte, pés na areia e pessoas praticando futevôlei, vôlei de areia, beach tennis… Esta cena, comum em cidades litorâneas, tem se tornado cada vez mais frequente aqui na capital goiana. É, Goiânia não tem praia, mas isso não impediu que os esportes típicos do local chegassem aqui de vez, com a inauguração de vários espaços voltados para a prática dessas atividades.

Um exemplo é a Orla Terral de Esportes de Areia, em funcionamento desde o mês de abril e que trouxe para o meio da cidade um espaço que é, ao mesmo tempo, um ponto de práticas esportivas e de lazer. Toda sua estrutura – com 2.500 metros quadrados que se dividem entre quatro quadras de areia, área para atividades funcionais, vestiários e bar – foi pensada para remeter ao clima de beira-mar.

Sócia-proprietária da Orla, Carolina Stecca explica que o local foi criado para atender a uma demanda notada nos últimos tempos. “O público de Goiânia estava procurando onde praticar esse tipo de esporte e os únicos lugares que ofereciam eram clubes”, conta.

A carência também foi percebida por Felipe Fon. Sócio da Praia Sports e do Beach King, ele explica que percebeu que na cidade muitas pessoas queriam jogar futevôlei, mas acabavam reféns de um convite para os clubes onde existem quadras de areia. “Então nós decidimos construir essas quadras dentro de Goiânia. Porque se todo mundo quer jogar futevôlei, então o futevôlei tem que ser para todo mundo”, destaca.

O estilo de negócio foi bem-sucedido. A Orla, por exemplo, tem apenas dois meses de funcionamento, mas já conta com 150 alunos matriculados nas diversas modalidades que são oferecidas. Fon aponta ainda outro indício do sucesso desse tipo de empreendimento: até agosto devem ser abertos pelo menos mais três espaços com o mesmo conceito.

Os atletas Jacob Facuri e Leonardo Granja em treino com o professor Leonardo Bridi, na Brava Sport

Benefícios

Quem vai atrás de praticar esse tipo de esporte está, muitas vezes, cansado de academias e vê com bons olhos a ideia de se exercitar ao ar livre. Além disso, pesam na escolha o alto gasto calórico que as atividades proporcionam – em uma aula de beach tennis, por exemplo, chegam a ser gastas de 500 a 800 calorias e a de boxe na areia tem o dobro do gasto calórico de uma aula comum da mesma luta – e a oportunidade de praticar um esporte em grupo. “Os alunos criam amizades, fazem grupos, então é possível perceber o benefício social também”, afirma Stecca.

O professor de beach tennis da Brava Sport Center, Leonardo Bridi, reforça o ponto de vista e conta que o esporte cria uma verdadeira “família” entre seus praticantes. “O beach tennis vem junto com um estilo de vida. O pessoal joga, participa das competições, que sempre são na praia, leva a família junto, então acaba criando um lifestyle mesmo. E os praticantes sempre se identificam”, explica.

A areia traz, ainda, diversas vantagens, que se estendem a todos os esportes ali praticados. Bridi descreve que o impacto sobre as articulações é bem reduzido, o que diminui também o risco de lesões, as atividades proporcionam um aumento de resistência aeróbica e o tônus muscular de quem pratica a modalidade, principalmente nos membros inferiores, melhora muito. É esse, aponta Felipe Fon, um dos principais motivos para que as mulheres sejam o grupo que mais procura pelas atividades na areia. De acordo com ele, 70% a 80% do público que se matricula nas aulas é feminino.

O educador físico Felipe Fon aponta que as mulheres são o grupo que mais procura pelas atividades na areia

Aluna de beach tennis há dois meses, Marcela Mendonça explica que começou as aulas porque procurava alguma atividade para intercalar com a musculação que já praticava. Ela, que já tinha feito aulas de muay thai e até mesmo de tênis de quadra, não havia se adaptado bem a nenhum dos esportes, até que encontrou o tênis de praia. O diferencial do esporte? “Ele é viciante, e traz uma sensação de prazer muito grande. Além do aspecto da competição, que é muito positivo. Fora que já fiz muitas amizades aqui”, afirma.

Tana Lobo é mais um exemplo dessa boa participação do público feminino. Praticante de futevôlei há dez meses, conta que se juntou a cinco amigas e pediu a Fon para dar aulas ao grupo, que já estava cansado do ambiente da academia. Segundo ela, nas aulas de futevôlei é que consegue aliviar o estresse.“É o local e a hora do dia que tenho para me divertir, praticar o que gosto”, explica, acrescentando que cuidar da saúde e do corpo é uma consequência, realizada com divertimento. Sobre o ambiente, acrescenta: “Aqui em Goiânia sempre brincamos que ‘já que não tem mar, vamos pro bar’. Ainda falta o mar, mas já temos a praia.”

Perspectivas

A prática de esportes de areia em Goiânia é mais que só uma febre entre os praticantes, defende Fon. De acordo com o empresário, prova disso é que a assiduidade é grande. “Em média, de 60 matrículas no futevôlei até hoje, houve apenas uma desistência e há alunos que praticam o esporte há mais de sete meses”, declara.

Outra evidência é que já há alunos competindo em torneios. Leonardo Granja, integrante da Pequi Beach Tennis, participou no início de junho de um campeonato da modalidade no Rio de Janeiro. Apesar de já ter prática com tênis, Leonardo ressalta que começou a treinar há pouco tempo na areia, mas pretende continuar. Entre as vantagens do esporte, ele aponta que é um ambiente descontraído e que muitas pessoas nos circuitos já são conhecidas da época do tênis de quadra, o que proporciona reencontros.

Essas características só reforçam o quanto os esportes de areia são vantajosos, seja no aspecto físico ou no social. Tudo isso só contribui para que as modalidades consigam se firmar cada vez mais aqui, no meio da cidade, sem a necessidade da praia. Pelo menos é o que garantem todos os apaixonados pelos esportes.

Matéria publicada na 36ª edição da revista Zelo