Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no twitter
Compartilhar no facebook
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram

Supervivências

Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no facebook
Compartilhar no whatsapp
Inveja e Competição são conhecidas antigas de um povo da Terra. Elas sempre povoaram. Uma tem cor diferente da outra. Gostos quase iguais. Tamanho quem dá ao hospedeiro é o mensageiro? Instalaram-se de vez no solo, germinaram juntas da Cobiça e da Ganância. Mas também nasceram ao lado da Amizade e do Amor. Tudo com “a”, Afeto, Apreço. Feto. Preço. Seguiram caminhos: rio de delícias vivas.
Terra.
Almas. Risos.
E por que não sexo? Inclusive, Inveja e Competição eram adeptas às orgias. Orgias de Agonia, Medo. Gozavam assim a vida. “Inveja, presente. Competição, presente”. Amizade. “Professora, essa não veio hoje”, diz a menina, na sala. A Amizade estava de cama, com febre, por ter chorado na chuva a saudade do Amigo. Amigos sempre se atrasam, mas chegam. Inveja e Competição estavam lá, presentes, de olho na prova da coleguinha. As chamam de preguiçosas, no recreio.
Na hora do lanche, merendeiras à mão. Uns brincavam de ciranda, outros de pique -esconde. Inveja e competição rodavam, rodavam e largavam as mãos. Do outro lado, caíam os outros meninos. Amor, Carinho e Amizade corriam em busca de um lugar para abrigar. Para ter a sensação de se encontrar, novamente. Surpresas do tempo. “A esperança jamais abandona o homem de cérebro estreito que pensa em coisas pequenas. A sua mão ávida escava a terra para achar tesouros, e dá-se por satisfeita quando encontra um simples verme”, escreveu Goethe sobre Cobiça. Foi um ser de terras distantes quem “rascunhou” a biografia de vários personagens, inclusive sobre um dos padrinhos da Vida: “O comportamento é um espelho em que cada um mostra a sua imagem.”
Fato.
Demonstração.
Uma que consumia a outra. Inveja brincou errado com Competição. Brigaram. Inveja competiu com Competição, que invejou a astúcia da Inveja. Enganos. Tolices do “nada”. Mundo é bola. Redondamente…
Com essa momentânea separação, Amor, Carinho e Amizade não passaram para o lado das duas. Inveja e “amiga” forçaram uma dedicação.
Cada um no seu lugar, falou espirituosa a Calma. “No fundo, são tão frágeis, parecidos”. Da Vinci, além de pintar Monalisa, deu cor a outros vários mundos, ao Pensamento: “Os ambiciosos que não contentam com o benefício da vida e da beleza do mundo, sofrem, como castigo, o desperdício da vida e a impossibilidade da posse da utilidade e beleza do mundo.”
Calma. Viver é viver… Os minutos explicam a existência.
Flores e cachinhos proveitosos. Vôos constantes. Tudo no ar. Na convivência, quem dá o retrato promete o original? Quando o orgulho grita o amor cala?
Todos os personagens. Todas as figuras dramáticas: sentimentos e coração batendo. Seres são delicados. Paciência. Ciência da paz. Mas flores são vistas por toda parte. Se uma não pega mais na mão da outra para cirandar, é porque cresceram, seguiram rumos, ficaram grandes. A arte é o homem todo. Pedaços reconquistando. Sobrevivência: espaço e tempo riem à toa. Supervivência até ao fim. E a vida beija a todos. De língua alguns, selinho outros. E com a mão, lança beijos a todos. As personagens são espelhos da estrela contemporânea. Planetas e orgias. Encontros e desencontros.
O que chega mesmo é a face, diante das horas. Nem nos resta, nem nos despreza. Apenas respeito às disputas. E disputa é diversidade.
Consideração e lá vão todos: sobrevivência. Sobre as vivências, sentidos da biografia interminável. Nós. E, partir de hoje, “só de amor falarei”. Tudo é amor. E ponto. De vistas. Envelheceram e são ainda crianças, brincando no pátio da consciência. Z