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Existe taça perfeita?

Saiba porque algumas taças e copos podem revelar diferentes nuances e impressões sensoriais em champagnes, cognacs e whiskies
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Taça de Cognac (divulgação)

Muito se fala em harmonização de bebidas e alimentos, e é fato que quando combinados e equilibrados, ambos potencializam as virtudes de cada um. Não é diferente a relação entre taças e champagnes, cognacs ou whiskies. Quando degustados em determinadas taças e copos, podem revelar sabores e aromas ou expressar diferentes características, dependendo do seu formato e tamanho.

Pode parecer exagero, mas não respeitar estes fatores e usar determinados copos e taças aleatoriamente sem pensar no que estamos querendo realçar na bebida, pode comprometer os resultados almejados. Principalmente, se temos em mente destacar um ou outro elemento específico na degustação, que estejamos buscando acentuar ou deixar mais evidente.

“Não há certo ou errado, apenas diferentes taças para diferentes objetivos”, complementa Vic Sarro, Brand Ambassador de algumas marcas da linha Prestige da Pernod-Ricard, entre as quais o cognac Martell, os champagne Perrier-Jouët e G.H.Mumm.

Tomemos o exemplo do conhaque, este elegante destilado de uvas envelhecido em barris na região homônima, no sul da França, e que segue regulamento próprio.

Segundo Vic, pode ser bebido em diferentes taças, dependendo do modo como é servido, se em coquetéis ou puro.  “Há porém uma tradição em se degustar cognac na taça bojuda e curta, que torna possivel o ato de esquentar a bebida, o que faz com que ela fique ainda mais intensa e ideal para beber no inverno”, comenta.

Cada taça, uma sentença

No caso de champagnes, determinadas taças podem manter por mais tempo o perlage da bebida ao mesmo tempo em que conservam seu sabor. Em geral, taças altas e finas até dão conta do recado, mas Vic Sarro observa que o principal fator na escolha da taça é saber o que se quer valorizar no champagne, e assim a resposta sobre a taça específica e ideal virá.  “O modelo flûte, por exemplo, conhecido no Brasil como o mais comum em taça de champagne, está cada vez menos presente na mesa do consumidor de espumantes. É uma ótima taça para se apreciar a perlage do champagne, porém seus beneficios param por aí. Em evolução a essa taça, temos a versão “tulipa” aumentando sua presença e se mostrando tão charmosa quanto a flûte, porém sua abertura estreita, permite que o vinho respire e sua complexidade e riqueza, ali apareçam”, comenta Vic Sarro. Ela acrescenta que não podemos deixar de mencionar a taça de vinho branco, que é super versátil e funciona como um coringa para a degustação de borbulhas, permitindo que os aromas se expressem de forma abundante e “descomplicando” o consumo de champagne, hábito do qual  é  totalmente a favor.

Vic Sarro conta também que recentemente Laurent Fresnet, chef de cave da Maison G.H.Mumm desenvolveu com o neurocientista Gabriel Lepouset e o designer Octave de Gaulle duas taças especiais que trouxeram novas perspectivas  na experiência do degustador. Uma delas, mais lisa ao toque e mais pesada, na cor roxa, e a outra de aparência fosca, que aumenta a percepção do sentido “gelado” no visual, sabor e tato. Segundo o chef de cave, novas nuances da bebida foram reveladas, e mais aromas e sabores vieram à tona, porque pistas sensoriais de praxe foram alteradas e hábitos automáticos foram desafiados, ao trocar-se a taça tradicional por outras diferentes. Mas atenção: isso não quer dizer que beber champagne em taça de chá vá trazer o mesmo efeito. Mais uma vez, cabe aí a regra de ouro: para cada bebida, uma sentença ou melhor, uma taça certa. Como não se encantar por exemplo com as lindas e perfeitas taças da coleção Perrier-Jouët Belle Epoque, com as emblemáticas anêmonas criadas por Émille Gallé, já no primeiro gole?

Resultado sensorial

No capítulo dos whiskies, cabe de novo o “enxoval” correto para fazer da degustação algo perfeito e pleno. Segundo Mauricio Porto, autor do blog sobre whiskies “O Cão Engarrafado” e dono do elegante bar em Pinheiros, Caledonia Whisky&Co, o formato do copo influência no resultado sensorial, ressaltando ou atenuando características da bebida, “O clássico copo baixo, com boca larga, tende a dissipar demais aromas mais delicados. Então, para whiskies mais suaves, como por exemplo, The Glenlivet Founder’s Reserve,  se a ideia for realizar uma degustação técnica, talvez ele não seja uma boa opção. O ideal, neste caso, é utilizar uma taça ou copo menor, que reúna os aromas. A escolha mais tradicional é a taça ISO – usada inclusive para degustação analítica de outras bebidas. Seu formato e tamanho foi padronizado pela International Organization of Standardization. As bordas estreitas e seu diâmetro ajudam a reunir os aromas do whisky”, explica o especialista.