Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no twitter
Compartilhar no facebook
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram

Caetano é dez vezes melhor que Chico

Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no facebook
Compartilhar no whatsapp
Ok, sei que tem gente me xingando já a partir do momento em que leu o título deste texto. Normal. Pode descer a ripa, já estou acostumado. Qualquer um que ouse tocar no deus dos olhos azuis é rapidamente detonado. Seja pela esquerda tapada que mal leu as orelhas dos livros clássicos do pensamento que se contrapõem ao liberalismo; seja pela direita estúpida que considera extremamente requintado citar os sambinhas de Chico nas enfadonhas reuniões de quinta-feira à noite regadas a bons uísques; ou ainda pelas mulheres que se derretem com o charme do cantor, com a tal “profundidade” das letras e a sensibilidade dele junto ao universo do coração da mulher.
Perante tudo isso é mais fácil escrever um artigo destruindo Jesus Cristo que argumentar contra Chico Buarque. Todo mundo tem um porquê para defender o mais carioca dos cariocas. E se alguém tem de bater essa real, sem problemas, assumo este fardo: Chico Buarque nunca passou de um compositor normal, mediano, nunca triscando a tal da genialidade que lhe jogam nas costas.
Agora, por outro lado, o grande exercício da intelligentsia tupiniquim é difamar Caetano Veloso. Falam que ele não é mais o mesmo, que o cara fala demais, que ele não é coerente. Falam e falam e falam. Mas não percebem (seja por ignorância histórica, seja por modismo) que o Caetano sempre foi falastrão, coerente com a incoerência e provocativo. Enquanto Chico sempre foi também o mesmo: conservador esteticamente, retrógrado conceitualmente e musicalmente pouco criativo. Enquanto Caetano sempre foi um gênio da composição de músicas e letras, Chico sempre foi medíocre musicalmente e bom (somente bom) na construção das letras.
Começo pelo detalhamento da parte musical. Pense no final dos anos 60. O que passa na sua cabeça? Desbunde, sexo, rock, guitarras, cabeludos, é proibido proibir… Pois é, enquanto estava todo mundo pirando e Caetano no epicentro desse turbilhão no Brasil como líder da Tropicália (o movimento musical, estético, comportamental e artístico mais significativo da história deste País), Chico estava lá, vendo a banda passar, com sambinhas esteticamente conservadores. Enquanto Caetano vinha com o vanguardista Araçá Azul, Chico colocava o retrógrado musicalmente (reitero, não estou falando das letras) Calabar, o Elogio da Traição ou Chico Canta. Ainda hoje isso acontece. Caetano apresenta um ousado e criativo disco novo, o Cê, e Chico lança Carioca, álbum repleto do mais do mesmo.
Na parte das letras, ponto em qual Chico sempre foi incensado como expoente maior da escrita para músicas e inegavelmente ele é realmente bom neste quesito. Mas não é o maior de todos. Longe disso. Basta compará-lo com a maior influência dele, Vinícius de Morais, para ver quem é quem nesta história. Por outro lado, Caetano é descrito como alguém que não tem discurso, não tem o que passar. Podres Poderes, Rocks, Haiti, Tigresa e tantas outras estão aí para provar o contrário. Naturalmente, a leitura dos dados só pode ser míope.
Bem, eu tenho mais um milhão de argumentos para provar o quão Caetano é mais genial que Chico, mas eu daria muito trabalho à Rosângela (ah, valeu pelo convite!) para editar um texto grandão e não quero ser chato com uma revista tão legal em sua primeira edição. Qualquer coisa, estamos aí! Z