Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no twitter
Compartilhar no facebook
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram

Curta goiano “Hawalari” será lançado no 32º Festival Curta Kinoforum, que começa hoje (19)

Obra poderá ser assistida em todo o Brasil, de forma gratuita, na plataforma de streaming do evento
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no facebook
Compartilhar no whatsapp
A atriz indígena Hawalari Coxini em cena do filme “Hawalari” (Divulgação)

Quais povos indígenas habitavam o Brasil desde os primórdios?  Como era a civilização neste espaço, hoje denominado Goiás, antes da chegada dos bandeirantes? Ou quem sabe, qual foi a perspectiva destes indígenas a cada encontro distinto com “não indígenas” no decorrer dos séculos?

Estas são algumas reflexões que o curta-metragem goiano “Hawalari” traz à tona em seus 15 minutos de obra cinematográfica. A obra que trata da temática indígena fará sua estreia no 32º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo – Curta Kinoforum. O festival começa nesta quinta-feira (19), mas o lançamento de “Hawalari” se dará na terça, 24 de agosto. O curta poderá ser assistido em todo o Brasil, de forma gratuita, na plataforma de streaming do festival, a partir das 19h, onde ficará disponível por 24 horas. Uma segunda apresentação ocorrerá no dia 26 (quinta-feira), às 19h.

O diretor e roteirista goiano, Cássio Domingos, celebra a sessão pela qual “Hawalari” foi selecionada, a Mostra Brasil 7 – Na Calada da Noite, referida pela curadoria do festival como “Ousadia e transgressão caminham juntos em imagens fortes que eventualmente beiram o transe”. Este não é um programa para fracos.” “O tema da mostra vai de encontro com a proposta do nosso filme, além de que a Mostra Brasil é tradicional neste festival que já acontece há 32 anos, um dos mais longevos da América Latina”, declara o diretor.

Cássio conta que quando conheceu a protagonista do filme, a atriz indígena Hawalari Coxini, também roteirista e produtora associada da obra cinematográfica desenvolvida e filmada em Goiás, pensaram em conjunto sobre a possibilidade de construir um filme de ficção que retratasse um pouco sobre algumas nuances do encontro entre uma personagem indígena e um “não indígena”.

A escolha do roteiro que retrata uma época passada surgiu da paixão do diretor por filmes de época ou históricos e o desejo de apresentar uma narrativa que contrapusesse àquela hegemônica e estereotipada dos povos originários, comumente reproduzida no Brasil, algo que não controlasse as múltiplas possibilidades de existência e subjetividade destes povos indígenas.

“Os filmes de época, quando feitos com extensa pesquisa e cuidado, são excelentes para nos fazer refletir sobre o passado, sobre nossas decisões no presente que afetarão nosso futuro. Pesquisamos filmes de ficção realizados por indígenas no Brasil para entender melhor esta visão que busca acabar com os diversos estereótipos quando se tem um indígena como personagem ou filme com temática indígena”, conta Cássio Domingos.

O curta “Hawalari” é uma renúncia à ideia do colonizado, que transcende o imaginário coletivo limitador sobre os povos originários e discute outras possíveis sutilezas de um primeiro encontro entre branco e indígena, no final do século XIX.

A atriz indígena Hawalari Coxini, pertencente ao povo Iny (Karajá), da Aldeia Fontoura, situada na ilha do Bananal e também foi responsável pela consultoria do filme, junto de sua irmã, Rafaella Sandoval Coxini Karajá; Sinvaldo Oliveira Saraiva – Wahuka; Idjarrina Rosa Karajá e o Cacique Raul Hawakat.

“Eu tentei focar ao máximo em manter o sentimento de realmente estar insegura e curiosa ao mesmo tempo sobre quem é a pessoa que tentava fazer de tudo para me estudar. Fiquei atenta bastante também na execução do idioma INY, tentando falar o mais semelhante possível dos áudios que recebi. Sou indígena criada na cidade, sai do lugar próximo que morei a aldeia e até da aldeia mesmo muito cedo, não tive tempo e nem pessoas próximas que tinha a língua fluente para me ensinar e a minha maior preocupação é os parentes entenderem o que está sendo dito”, explica Coxini.

O curta foi contemplado pela Lei de Incentivo Goyazes, com patrocínio da Papelaria Tributária.

Cinema Goiano no páreo em Cannes

O cuidado do diretor Cássio Domingos em tratar deste contexto histórico-cultural, cuja assimilação não se restringe aos livros de antropologia, somado às belas paisagens do Cerrado e do Rio Araguaia, requintadas pelo diretor de fotografia Marcelo Kamenach, revela uma obra goiana autêntica e surpreendente, de reconhecimento internacional.

Em 2020, um corte de “Hawalari” foi inscrito na 52ª Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, quando o curta chegou na etapa final de seleção. Diferente dos anos anteriores, em função da pandemia, o festival francês foi cancelado sem a divulgação oficial de filmes selecionados pela Quinzena.

“Fizeram de outra forma, foi montada uma pequena lista com poucos filmes que chegaram na etapa final de seleção e o Hawalari estava presente. Recebemos um e-mail oficial com feedback positivo acerca do nosso curta e sobre uma possibilidade de exibição em 2021. Infelizmente, Hawalari e nenhum outro curta-metragem brasileiro foi exibido na Quinzena deste ano. Mas para felicidade do cinema brasileiro, o longa “Medusa”, de Anita Rocha, foi selecionado e fez sua estreia em Cannes em julho”, comemora Cássio.

O diretor e roteirista goiano Cássio Domingos (Divulgação)

Serviço:
Lançamento do curta “Hawalari”
Data:
26 de agosto (terça-feira)
Horário: 19h
Onde: Transmissão pela plataforma de streaming do 32º Curta Kinoforum