CULTURA - 22/02/2019

'Happy Hour': um filme sobre o desejo e as aparências

Em conversa com a Zelo, o diretor Eduardo Albergaria comenta sobre a exibição do longa na abertura da 12ª mostra O Amor, A Morte e As Paixões



Julie Tsukada

Eduardo Albergaria é o diretor e roteirista de "Happy Hour - Verdades e Consequências" (Foto: Divulgação)

“Dá liberdade ao seu desejo”. A frase, repetida e pensada várias vezes pelo argentino Horácio, personagem de Pablo Echarri em "Happy Hour - Verdades e Consequências" é emblemática no filme. Escrito e dirigido por Eduardo Albergaria, o longa, que estreou no Festival do Rio em 2018, marcou a abertura da 12ª edição da mostra O Amor, A Morte e As Paixões, realizada na última quarta-feira (20) no Cinema Lumière do Banana Shopping.

Esta não é a primeira vez de Eduardo em Goiânia. O diretor já havia vindo a capital goiana para apresentar "Achados e Perdidos", seu primeiro curta-metragem, lançado em 2002. Hoje, anos depois, ele volta para apresentar "Happy Hour", seu primeiro longa, uma produção entre Brasil e Argentina com Letícia Sabatella, Pablio Echarri, Chico Diaz e Pablo Morais no elenco.

“Fico muito orgulhoso e feliz pelo convite de estar na mostra. Essa é a terceira vez que eu vou exibir o filme. A primeira vez foi no Rio de Janeiro, no ano passado, e agora, acabei de chegar de Buenos Aires, onde o longa acabou de ser lançado no circuito comercial da Argentina, em cerca de 40 salas”, diz o diretor.

Em “Happy Hour”, o desejo, as aparências e os relacionamentos são discutidos por meio da história de Horácio (Echarri), um professor universitário argentino casado com Vera (Sabatella), deputada no Rio de Janeiro, que subitamente vira herói da noite para o dia após capturar um criminoso, o Homem-Aranha (Pablo Morais), que aterrorizava a cidade carioca.

O acontecimento faz Horário repensar sobre sua vida, o que o leva a confessar para a esposa que ele deseja ter relações com outras pessoas, embora também queira continuar com o casamento. A revelação vem em um momento difícil para Vera, que está prestes a se tornar candidata à prefeitura do Rio. Ela não aprova a ideia do marido, mas percebe que, no dado contexto, precisa manter o relacionamento. 

Trabalho autoral

Letícia Sabatella e Pablio Echarri são os protagonistas de "Happy Hour" (Foto: Divulgação)

 Happy Hour marca um momento especial na carreira de Eduardo. Depois de atuar na produção de longas-documentários, como “O engenho de Zé Lins” e “Por trás do Marketing Político”, e na criação, direção e roteiro de temporadas de programas da Globosat, como “Tira Onda” e “De Cara Limpa”, do Multishow, e “Pet.Doc”, do GNT, o diretor e roteirista se aventura agora em um trabalho totalmente autoral.

“’Happy Hour’ nasceu de uma peça de teatro que eu escrevi com o Carlos Thiré. Depois, na adaptatão para o cinema, erouxe o Fernando Velasco. Esse filme representa o que eu queria dizer. É honesto, fala sobre liberdade, desejo e verdade, algo que parece estar tão em falta. Parece que mataram a verdade, ela está escondida”, reflete Eduardo.

A co-produção entre Brasil e Argentina surgiu de forma inesperada. “Por uma espécie de impulso, eu mandei o roteiro para uma produtora argentina. Eu não a conhecia. Ela gostou da história e estamos aqui hoje", explica Eduardo. A experiência foi enriquecedora. "Sou fã do cinema argentino, das suas histórias, que dialogam muito com literatura, que também é algo muito importante na minha vida. O cinema é uma arte coletiva e a co-produção te desafia a olhar de um outro modo. Eu aprendi muito... foi uma tremenda sorte”, ressalta.

"Happy Hour" é o primeiro trabalho autoral de Eduardo Albergaria em um longa-metragem (Foto: Divulgação)

A relação entre Brasil e Argentina não fica só na produção. Albergaria também a traz na essência da história, uma forma de evidenciar as similaridades entre os brasileiros e os hermanos. “Nós temos muito mais em comum com eles do que as pessoas insistem em falar. É uma espécie de rivalidade que não ajuda em nada”, comenta.

Essa dualidade também é trabalhada em Horário, que mesmo com o tempo vivendo no Rio de Janeiro, ainda se sente um estrangeiro - sentimento que foi reforçado na adaptação da peça para o cinema. "Quando eu estava desenvolvendo o roteiro, entendi que o Horácio tinha esse comportamento. Na peça, ele era brasileiro, mas eu entendi que seria mais interessante se ele fosse estrangeiro, de fato, no filme", explica Eduardo.

Além da presença de Eduardo Albergaria, a sessão de "Happy Hour" na 12ª mostra O Amor, a Morte e as Paixões contou com a presença do ator Pablo Morais e de convidados e imprensa. Os 100 primeiros espectadores que retiraram pessoalmente o ingressono cinema também puderam prestigiar a exibição, que ocorreu antes do lançamento oficial do filme nas salas brasileiras.

"Happy Hour” estreia nos cinemas brasileiros no dia 21 de março. Luciano Cáceres, Aline Jones, Letícia Persiles e Rocco Pitanga completam o elenco. A produção é de Leonardo Edde e Vanessa Ragone.

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