LIFESTYLE - 25/05/2016

Giuseppe Vecci: “Goiânia carece de uma perspectiva de futuro”

Pré-candidato a prefeito da Capital, deputado tucano destacou sua trajetória política no Estado e garante que vai aproximar a administração da sociedade



Alexandre Parrode

Pré-candidato a prefeito de Goiânia, o deputado federal Giuseppe Vecci (PSDB) tem uma longa carreira na política goiana. Embora nunca tenha disputado mandato eletivo antes da eleição de 2014, o empresário e dono da Faculdade Cambury sempre esteve muito ligado à administração pública. Foi secretário de Planejamento durante o governo de Henrique Santillo e também de governos de Marconi Perillo. É amigo e foi braço direito do atual governador, tendo participado da criação de vários programas de sucesso, como a Universidade Estadual de Goiás (UEG) e o Renda Cidadã. Em entrevista à Zelo, Vecci relembra um pouco de sua história, fala sobre a atual situação do País e apresenta seu prognóstico para Goiânia, caso eleito prefeito.

ZELO - Como o senhor recebeu a indicação do seu nome como pré-candidato do PSDB à Prefeitura de Goiânia?

Vecci - Coloquei-me como candidato para poder realizar, ajudar as pessoas e melhorar a qualidade de vida de todos. Moro na Capital há 44 anos. Tive a oportunidade, como cidadão, gestor e empresário, de participar das grandes transformações ao longo dos últimos anos. Cheguei aqui no início da década de 1970, uma cidade sem tantos problemas como temos hoje, mas já àquela época um polo da região Centro-Oeste. Em 1975, na faculdade de Economia, trabalhava na Metago, como rádio-operador e xeroqueiro. Fui presidente da Associação dos Servidores da empresa, no início da década de 1980, e em 1985 tive meu primeiro cargo público: diretor de planejamento. Logo após participei da campanha do ex-governador Henrique Santillo, e acabei sendo secretário de Planejamento de seu governo. Em 1991, deixei a administração pública e montei a Faculdade Cambury. Acabei sendo convidado para trabalhar no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), como diretor da Secretaria de Assistência Social. Estive na pasta quando foi criada e implantada a LOAS – Lei Orgânica da Assistência Social. Em 1998, o governador Marconi Perillo (PSDB) me convidou para trabalhar em sua primeira campanha. Desde então eu tenho participado de todos os seus governos. Ajudei o governador a montar quase todos os projetos e programas sociais, como o Renda Cidadã, a Universidade Estadual de Goiás (UEG), Vapt Vupt, Cheque Moradia e o Bolsa Universitária.

ZELO - Nunca tinha tido vontade de disputar eleição antes de 2014?

Vecci - Sou do PSDB desde 1990, mas nunca havia disputado mandato. Já ajudei vários companheiros, participei de muitas campanhas, mas pessoalmente nunca havia sido candidato.

ZELO - O senhor é apontado como gestor, administrador. É isso que Goiânia precisa?

Vecci - Diria que nossa bela e querida cidade está maltratada. A prefeitura, incapaz de realizar um planejamento. É fundamental que restauremos o orgulho dos goianienses. E esse orgulho só virá se você conseguir ter serviços públicos de qualidade. Para tanto, é preciso liderança, compartilhar o governo com os demais setores da sociedade organizada. A partir daí, em um trabalho conjunto, realizar ações.

Faltam recursos para todos os lados, mas isso não pode ser um problema. Ninguém elegeu vereador, prefeito e governador para ficar chorando dificuldade. Elegeu para que ele possa, com garra e determinação, resolver os problemas básicos da população. É isso que falta em Goiânia, uma gestão com planejamento e prioridades, para que a gente possa dar uma vida melhor para as pessoas.

ZELO - Quais são os maiores desafios da cidade?

Vecci - Alguns problemas são característicos de cidades grandes, como a violência, a insegurança... Certamente não é só de Goiânia, é do País. Diria que aqui há alguns prementes que o prefeito tem que chegar resolvendo: tapar os buracos da cidade, que está toda esburacada; iluminação e limpeza. São coisas rápidas que estão esquecidas. O prefeito não dá conta de fazer tudo sozinho, reconheço, mas quando há liderança, você consegue aglutinar a sociedade civil organizada para, juntos, superar os problemas. Mais do que ter proposta, é saber ouvir as pessoas. Goiânia carece de uma perspectiva de futuro.

ZELO - Já desenvolveu algum projeto?

Vecci - Temos algumas ideias. Por exemplo, criaremos subprefeituras para aproximar a administração da população. Regionalizar os órgãos da prefeitura, descentralizando serviços. Criar serviços novos, como o Vapt Vupt municipal. Temos que estar presentes na vida dos cidadãos.

ZELO - Indicado como o nome do PSDB, como pretende construir sua campanha? O senhor mesmo fará o plano de governo? Afinal, já fez quatro bem-sucedidos (risos).

Vecci - Por isso que eu disse, é preciso ouvir as pessoas. O povo está ávido para dar opinião. Há uma descrença, um ceticismo muito grande para com os políticos. A população coloca todo mundo na vala comum. É preciso ter paciência para ouvir e captar os anseios. Junto com isso, construir grupos de trabalho para o plano de governo. As várias áreas e vá- rias regiões da cidade. Vamos avançar fazendo uma campanha de prefeito como se fosse vereador. Indo de bairro em bairro, casa por casa.

ZELO - Quando o senhor decidiu deixar o governo para disputar eleição, ser candidato a deputado federal, como foi a reação de sua família?

Vecci - Sempre me apoiaram muito. Tenho três filhos, Gabriel, Lucas e Laura, que sempre me apoiaram. Agora, é uma vida diferente. Uma moradora da Vila Mutirão me disse uma frase que me marcou muito. Estávamos conversando e ela me agradeceu “por ter deixado a zona de conforto de deputado e vir a ser candidato a prefeito de Goiânia”. É um desafio, mas política deve ser assim. Não adianta ficar só criticando. Não tem como mudar a cidade, o Estado e o País se não for pela política.

ZELO - Seus filhos ajudam o senhor, gostam de política, têm interesse de seguir a carreira?

Vecci - Não. Acho que não. Bom, até hoje não, mas não sei (risos). Se você for pensar, eu entrei na política tarde.

ZELO - Por parte deles, houve reclamações quando o senhor participou de campanhas ou quando foi secretário?

Vecci - Quando eu não estava no governo, estava na empresa, então, acaba que não tinha todo o tempo que gostaria de ter para meus filhos. Eles, quando mais novos, demandavam mais tempo, aí reclamavam, sim. Dentro do possível, consegui ser um pai presente.

ZELO - Era muito rígido?

Vecci - Eu sou um pouco obcecado por resultados... E isso não é uma coisa que se conversa. Número é número. Digo sempre que, em Deus, eu acredito, o resto tem de me mostrar resultados. Ou seja, eu quero dados concretos, indicadores de que há progresso. Seja nas notas na escola ou na vida pessoal, como pessoa. Mas só tenho a agradecer. Tenho filhos muito bons, dedicados, atenciosos.

ZELO - O que o senhor faz no tempo livre?

Vecci - Gosto de cinema, música e de me exercitar. Há muitos anos, é só chegar ao horto às 6 horas da manhã que vai me ver caminhando. Também gosto muito de pescar e leio sempre que posso.

ZELO - Tem algo preferido para se fazer em Goiânia?

Vecci - Ir a restaurantes. Acho que Goiânia tem se tornado um polo gastronômico.

ZELO - Por falar em restaurantes, empresas e a atual situação do Brasil, como o senhor avalia, como empresário, cidadão mesmo, a situação econômica do País?

Vecci - Existe uma crise muito forte. Desemprego, empresas fechando, diminuindo oferta de emprego... Há uns dias fui a uma churrascaria e me encontrei com um amigo que é proprietário de uma revendedora de veículos na Capital. Ele me contou que vendia 700 veículos por mês. Naquele dia, acho que era 26 ou 27, ele tinha vendido 69. Quer dizer, de 700 veículos para 70. E na própria churrascaria, questionei um dos garçons porque estava tão vazio. Ele me respondeu: “Senhor, já foram demitidos 14 garçons.” Imagine! Isso é só um reflexo do que está em toda a cidade. Sem contar na quantidade de placas de “aluga-se” e “vende-se” espalhadas por aí. É muito triste. É um jogo de “perde-perde”.

ZELO - E parece que não há um fim para essa crise...

Vecci - Falta esperança. Não é só o momento ruim pelo qual estamos passando... Falta perspectiva de futuro. Não temos uma liderança nacional que possa aglutinar os interesses maiores do País.

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