LIFESTYLE - 20/02/2017

Conversa com Elbio Moreira

Ao comemorar 35 anos da EBM, presidente da empresa relembra histórias, fala do atual momen-to econômico brasileiro e de como conseguiu manter o padrão de qualidade



Alexandre Parrode

Elbio Moreira (Foto: João Carlos Fotografia)

Do alto do 17º andar, Elbio Moreira observa como a paisagem urbana de Goiânia mudou nos últimos 35 anos. Desde que começou a empreitada para subir seu primeiro empreendimento, o presidente da EBM Desenvolvimento Imobiliário passou pelos mais variados momentos econômicos. Foi vítima do confisco do ex-presidente Fernando Collor e viveu o boom imobiliário de 2011-2013.

Apesar de antagônicas, as situações tiveram uma coisa em comum na história da incorporadora: a prudência. Mesmo nos momentos de pujança, o empreendedor garante que não se deixou levar. “O mercado imobiliário tem uma característica: quando está em crescimento, você vê um monte de pessoas que não são da área abrir incorporadoras, se aventurar de forma oportunista. Mas é quando as coisas ‘apertam’ que vemos quem são os bons empresários”, argumenta.

Fundador da EBM, uma das maiores empresas do ramo em Goiás, Elbio Moreira contou à Zelo que supera a crise que assolou o País nos últimos dois anos por que se preparou e agiu com extrema cautela. “Em 2013, fui a uma palestra em São Paulo e os economistas já alertavam para a situação caótica a partir de 2015. Quando voltei, reuni minha equipe e avisei: ‘vamos segurar investimentos’. Hoje, atravessamos muito capitalizados, o que é uma conquista”, explica.

Para se ter ideia, a empresa lançou apenas um empreendimento em 2014 e um em 2015. Este ano, a situação é bem diferente: são três em desenvolvimento, sendo um em Goiânia, um em Anápolis e outro no interior de São Paulo. “Estamos vendendo mais e estamos maiores que no ano passado”, comemora.

A receita para o sucesso de Elbio não se restringe apenas ao “planejamento” e “pés no chão”: a EBM conta hoje com 700 funcionários, que, em sua maioria, trilham carreira na empresa. Dos seis diretores que compõem o conselho da instituição, para se ter ideia, cinco foram estagiários. “Tenho funcionários aqui com 35 anos de casa, estão comigo desde a fundação”, lembra.

Questionado sobre a evolução do mercado imobiliário (e da própria cidade) de Goiânia, o empresário conta que houve muito progresso, mas, por vezes, desordenado e há desafios a serem superados ainda. Um deles é a construção de uma cidade compacta. “Antigamente, achava-se que a cidade horizontal era o ideal. Não é! Os custos com infraestrutura são maiores, as pessoas têm que se locomover mais, não é funcional. Estudos mostram que uma pessoa deve ter, em um raio de 400 metros de suas casas, todos os equipamentos necessários. A cidade horizontal é cara e abre brecha para a formação de vazios urbanos”, explica.

Para além do empreendedor

Elbio Moreira se formou em Engenharia Civil em São Paulo e voltou a Goiânia ainda jovem para trabalhar na antiga Encol. Com a aposentadoria do pai, o funcionário público Bento Odilon Moreira, decidiu montar uma incorporadora. Acreditava que aquela era a melhor época para arriscar: ainda solteiro, considerava que podia empreender com sucesso em Goiânia e ainda hoje, ao lado do irmão mais novo, Bento Odilon Moreira Filho, comanda a EBM – que tem mais de 150 empreendimentos entregues em 16 cidades.

“Meu pai trabalhou muito. Aos 92 anos, quando faleceu, ainda tinha uma sala aqui na empresa, mesmo já não sendo sócio. Lembro que, aos 80 anos, comecei a levá-lo todos os sábados ao Glória. Ele nunca foi de beber, mas o chope lá é muito gostoso e, então, começou a tomar dois garotinhos. Acabou virando rotina. Tínhamos uma turma de amigos, formava aquela mesa grande, batendo papo... Na sexta-feira já me ligava. Um dia me perguntou: ‘Elbio, por que demorei tanto a fazer isso?’”, conta. Não fica triste ao falar do pai. Pelo contrário, dá risadas ao se lembrar das idas ao bar.

Apesar de estar sempre na empresa, Elbio afirma que não leva trabalho para casa. Quando sai, se desliga: “Não converso sobre trabalho em casa. Festa da família, não converso sobre negócios com meu irmão, nem com meu filho. Tem que ser disciplinado, senão você não descansa. Minha racionalidade entrando aqui também. A vida nos leva a ser mais cautelosos, precavidos.”

Não é só na vida profissional que ele é disciplinado. Às segundas, quartas e sextas, acorda às 5h20 para estar na academia às 6 horas. Faz musculação, boxe, corre. Aos fins de semana, gosta de jogar tênis. “Sou fã de esportes”, revela. E mais: é motoqueiro. Isso mesmo, apaixonado por motos – tem uma Harley-Davidson. E não gosta de andar pela cidade, não... Põe as duas rodas na estrada.

“Adoro viajar de moto. Já fui para o Deserto do Atacama; saí de Goiânia, passei pela Argentina, Uruguai, Paraguai. Fomos lá para mais de 2 mil metros de altitude (risos). Às vezes pego a moto na sexta-feira e vou para Ribeirão Preto tomar um chope do Pinguim. É um momento muito meu, estou sozinho, apenas eu, a paisagem, uma música e a moto. Me relaxa muito”, afirma.

Após a entrevista, antes de sair, o repórter da Zelo pergunta ao presidente qual foi o melhor empreendimento de todos os que já construiu. A resposta (seguida de uma risada) foi a seguinte: “Sou um eterno insatisfeito. Nunca fiz um empreendimento de que eu realmente gostasse: é sempre o próximo.”

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